Estresse contra tumores

Estresse contra tumores

postado em 27/05/2015 00:00
 (foto: Chris Bickel/Science Translational Medicine - 26/5/15)
(foto: Chris Bickel/Science Translational Medicine - 26/5/15)

Cientistas americanos apresentam na edição desta semana da revista especializada Science Signaling resultados positivos no combate ao câncer a partir de uma estratégia que tem ganhado força no meio científico nos últimos anos. A abordagem ; que parece promissora para combater tumores que se mostram especialmente resistentes aos tratamentos tradicionais ; consiste em estressar as células doentes, fazendo com que se tornem mais sensíveis à quimioterapia.


;Nós apresentamos uma estratégia alternativa para o tratamento do câncer, na qual retiramos das células tumorais as defesas que elas têm contra o estresse intrínseco delas;, resume, em um comunicado, Kakajan Komurov, principal autor da pesquisa e médico do Instituto de Câncer e Doenças Hematológicas do Hospital Infantil de Cincinnati.


A equipe de Komurov focou um tipo de câncer de mama especialmente difícil de combater, direcionado por um caminho molecular denominado HER2-mTOR. O tratamento-padrão para essa doença consiste em uma combinação de drogas que inclui um agente cujo alvo específico é o gene HER2. Porém, em mais da metade dos casos, a terapia não costuma surtir o efeito desejado.


Os cientistas decidiram, então, analisar células de câncer de mama em laboratório com a ajuda de análises genômicas feitas por grandes grupos de pesquisa, como o Atlas do Genoma do Câncer e o Consórcio Internacional do Genoma do Câncer. A equipe procurou nos tumores vulnerabilidades não oncogênicas que expressam um gene chamado ERBB2, que codifica o HER2. Observando a progressão das células como um processo evolutivo, os autores buscaram sinais genéticos da adaptação pela qual o tumor passa na busca por sobrevivência.


Nesse processo, eles descobriram que esses cânceres também expressam genes que regulam proteínas fundamentais para a sobrevivência das células doentes, um caminho conhecido como ERAD, sigla em inglês para degradação associada com o retículo endoplasmático. Em síntese, esse retículo é um componente da célula fundamental para que ela lide com o processo instável gerado pela quimioterapia, chamado de estresse proteotóxico.


Assim, os cientistas levantaram a hipótese de que suprimir o ERAD tornaria o câncer mais sensível ao estresse provocado pela quimioterapia. Esse inibidor é o gene IRE1-JNK, também identificado no estudo. Quando adicionado ao coquetel anticâncer, esse inibidor ajudou as drogas a matarem as células doentes no laboratório. Otimistas, os pesquisadores começaram testes em ratos.

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