Pacote divide o PT

Pacote divide o PT

postado em 15/09/2015 00:00

Em buscas de apoio para enfrentar um Congresso hostil a aumento de impostos, a presidente Dilma Rousseff reuniu, em um jantar no Palácio da Alvorada, um grupo de 19 governadores para apresentar o pacote de quase R$ 65 bilhões, com o qual promete cobrir um rombo de R$ 30,5 bilhões previsto no Orçamento de 2016 e ainda fazer superavit de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB). A reação, porém, não foi das melhores, pois boa parte dos convidados estava contando com a promessa da petista de dividir parte dos R$ 32 bilhões que podem ser arrecadados com a volta da CPMF. Foram avisados que essa montanha de dinheiro, caso se torne realidade, será exclusivamente da União.


Dilma pediu apoio aos governadores, mas não consegue unir o próprio partido, o PT. Parte da legenda está contra o corte de gastos, sobretudo de programas sociais. Essa ala é liderada pelo senador Lindbergh Farias (RJ). Para ele, a reação contrária do PT e dos movimentos sociais ao arrocho será ;muito maior; do que na primeira etapa do ajuste fiscal. ;As medidas vão criar um problema na nossa base social, naqueles que estão lutando contra o golpe que está em curso;, disse.


Na avaliação de Lindbergh, o governo volta a errar ao usar a mesma fórmula que não deu certo no ajuste feito neste ano, sobretudo por cortar investimentos e R$ 3,8 bilhões em despesas com a saúde. Segundo ele, a decisão do governo de adiar, por seis meses, o reajuste do funcionalismo público é uma ;declaração de guerra; aos servidores. ;Não é possível que apenas R$ 3 bilhões das novas medidas sejam para o andar de cima, por meio da tributação de juros sobre capital próprio;, afirmou. Para o senador, havia alternativas como a tributação de lucros e dividendos, medida que, segundo ele, poderia render até R$ 50 bilhões.


Já o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), adotou tom menos duro e disse que é melhor ;fazer alguma coisa que fazer nada;. Segundo ele, as medidas serão aprimoradas no Congresso. ;O que vai acontecer na tramitação da CPMF não cabe ao presidente do Congresso Nacional dizer. O Congresso Nacional tende a melhorar todas as medidas que por aqui tramitam;, frisou. Já o presidente nacional do PT, assinalou preferir a criação de impostos ao corte de gastos. ;Como já disse antes, mais receitas e menos cortes. E esses, quando realizados, não devem sacrificar os que mais precisam das políticas públicas, nem recaírem sobre conquistas dos trabalhadores e do povo;, destacou.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação