Mais um sócio na coalizão

Mais um sócio na coalizão

Parlamento alemão vota hoje proposta do governo para engajar uma fragata, aviões e 1,2 mil soldados nas operações contra jihadistas na Síria e no Iraque

postado em 02/12/2015 00:00


O governo da Alemanha decidiu engrossar a coalizão internacional de combate ao Estado Islâmico (EI) e mobilizar até 1.200 militares em uma missão em território sírio. O plano, aprovado ontem pelos ministros, representa a maior operação militar mantida atualmente pelo país no exterior. A medida ainda precisa ser aprovada pelo parlamento, onde a coalizão que apoia a chanceler (chefe de governo) Angela Merkel detém a maioria. Em paralelo ao engajamento alemão, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez um apelo para que os líderes de Turquia e Rússia superem a crise em torno do abatimento de um caça de Moscou e se concentrem nos esforços de resposta aos jihadistas.

A iniciativa de Berlim foi motivada pelos ataques terroristas que deixaram 130 mortos em Paris, no último dia 11, e atende a pedidos do governo francês para o fortalecimento da luta contra o EI. O plano alemão prevê o envio de aviões de reconhecimento e de uma fragata, além do contingente humano. O custo da operação foi estimado pelas autoridades em 134 milhões de euros. ;A contribuição alemã serve para a luta contra o terrorismo, sob o comando da aliança contra o EI, e pretende, sobretudo, apoiar a França, o Iraque e a coalizão internacional;, descreve o documento aprovado pelos ministros.

Segundo a tevê alemã Deutsche Welle, a proposta deve ser submetida ainda hoje a votação no Bundestag (Câmara dos Deputados). A expectativa é de que seja aprovada com facilidade pela folgada maioria governamental. A ministra da Defesa, Ursula von der Leyen, e titular das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, afirmaram à imprensa que o mandato permitiria uma ofensiva com duração de 12 meses, até dezembro de 2016. Steinmeier, porém, afirmou ao jornal Bild que espera um engajamento de longo prazo na região. ;Teremos de tomar um fôlego longo antes de derrotar um inimigo como o EI;, considerou o ministro.

Para o chefe da diplomacia alemã, a realização de bombardeios não é suficiente para derrotar os extremistas e solucionar a guerra civil na Síria. Ele ressaltou que um processo de reestruturação política é necessário para que a paz seja duradoura no país, e reiterou a posição de Berlim de não cooperar com o regime de Bashar Al-Assad.

Apelo
Apesar das diferenças de posicionamento sobre a permanência de Assad no poder, o presidente Barack Obama, cujo governo lidera uma coalizão internacional de combate ao EI, fez um apelo para que russos e turcos concentrem os esforços no objetivo comum de derrotar o grupo extremista. Depois de as tensões entre Ancara e Moscou terem se elevado, após um caça russo ser abatido em missão de bombardeio, Obama sugeriu a ambos os países que encontrem uma saída diplomática. O Kremlin exige retratação pública, mas Ancara sustenta que o avião violou o espaço aéreo turco e se recusa a pedir desculpas.

O presidente americano esteve reunido com os colegas Vladimir Putin e Recep Tayyip Erdogan, em Paris, à margem da conferência sobre o clima, e transmitiu aos dois a necessidade de ;aliviar as tensões;. ;Temos um inimigo comum e quero assegurar-me de que nos concentremos nessa ameaça;, enfatizou.

Obama, no entanto, recordou que a Turquia é membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan, aliança militar ocidental) e que os EUA ;apoiam seu direito de defender o território e o espaço aéreo;. O pedido foi endossado pelo secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg.


Britânicos contra a participação no conflito
Milhares de pessoas protestaram em Londres contra o projeto do primeiro-ministro conservador David Cameron de envolver a força aérea britânica nos ataques contra o Estado Islâmico (EI) na Síria. Os manifestantes desfilaram durante a tarde na região do Parlamento de Westminster, em pleno coração da capital britânica, perto das sedes dos partidos Conservador e Trabalhista. ;Não aos bombardeios na Síria; e ;David Cameron, vergonha!”, gritavam os participantes, que exibiam cartazes pedindo ;Parem a guerra;. ;Quando bombardeamos os habitantes de um país, não ficamos mais em segurança;, disse Salma Yaqoob, uma responsável da organização pacifista Stop the War. Cameron anunciou que submeterá hoje à votação do Parlamento britânico o projeto de aderir aos bombardeios contra o EI na Síria.

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