Veículos são os que mais poluem a capital federal

Veículos são os que mais poluem a capital federal

Levantamento feito a pedido da Secretaria de Agricultura mostra que o setor de energia e transporte corresponde a quase metade das emissões de gases de efeito estufa na região. Fábricas de cimento e deposição de resíduos sólidos também sujam o ar

ROBERTA PINHEIRO Especial para o Correio
postado em 10/12/2016 00:00
 (foto: Ed Alves/CB/D.A Press -  24/9/15

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(foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 24/9/15 )

Congestionamento, falta de vagas, acidentes e mortes no trânsito são apenas alguns dos problemas gerados pela quantidade de veículos em circulação no Distrito Federal. Apesar do crescimento da frota ter desacelerado na última década, ela é responsável por uma questão que passa praticamente despercebida: a emissão de gases de efeito estufa. Um levantamento multidisciplinar do governo revela que o setor de transportes é o principal poluente do DF, seguido pelas fábricas de cimento e pelos processos de deposição de resíduos sólidos.

O material integra as metas do Plano Distrital de Agricultura e Baixo Carbono (ABC), estabelecido em 2012, e se coloca como uma ferramenta de tomada de decisão e formação de políticas públicas. Ele será lançado, oficialmente, na próxima terça-feira, 13 de dezembro, na Torre de TV. ;Ele será apresentado no âmbito de uma reunião preparatória de um fórum de mudanças climáticas. O evento reunirá a sociedade civil, o setor produtivo, diferentes secretarias e órgãos de governo, além das universidades locais para que, nesse espaço, a gente comece a consertar e coordenar como será feito o enfrentamento disso e a implementação das leis;, explica Leila Menezes, chefe da unidade estratégica de Clima da Secretaria do Meio Ambiente (Sema). A partir do encontro, também deve sair um plano para reduzir as taxas de poluição.

O setor de energia e transporte corresponde a 49,05% das emissões de gases de efeito estufa do DF. A maior fonte de poluição de Brasília é a queima de combustíveis da fonte veicular. Hoje, a unidade da Federação conta com 1,6 milhão de veículos, e 2015 fechou com crescimento de 3,8% da frota, de acordo com o Detran. ;É o setor mais democrático. A responsabilidade de corte tem de mobilizar todos nós e envolve mudança cultural e não só de políticas públicas;, comenta Leila.

O segundo no ranking é o setor de processos industriais, que corresponde a 16,51% dos lançamentos e, segundo a chefe da unidade estratégica de Clima, para Brasília, é a fonte menos democrática, pois envolve duas cimenteiras. ;São alguns dos principais ativos da cidade e têm importância na movimentação econômica. As empresas participam de debates sobre a eficiência na produção do cimento e sobre o clima e estão abertas para mudar o sistema e adequá-lo em um cenário de enfrentamento dos desafios;, comenta Leila.

O terceiro item da lista é a deposição de resíduos sólidos em sítios não manejados. Ele é responsável por 14,25% das emissões de gases e envolve um problema crônico e histórico no DF, o Lixão da Estrutural. Desde 1997, há um processo judicial para desativá-lo. Segundo o GDF, essa é uma das soluções a curto e médio prazos, com o Plano Integrado de Gestão dos Resíduos Sólidos e a criação de centros de coleta seletiva. Mas Leila destaca que, ainda que se parasse de depositar lixo no aterro, o que foi colocado continuaria a emitir gases. Assim, a resposta envolve o reúso. ;Isso é possível. Podem ser usados como gás de cozinha, por exemplo;, revela.

Por fim, o estudo apresenta o setor da agropecuária, floresta e uso do solo. Ao contrário dos outros segmentos, a precisão dos dados foi prejudicada pela lacuna de informações iniciais. Por isso, a única estatística que concluíram nesse segmento é com relação às queimadas. ;Elas ficaram responsáveis por 0,27% das emissões totais;, esclarece Leila.



Inédito

Além de ferramenta para traçar estratégias e políticas públicas, a pesquisa deve contribuir com as leis existentes. O DF assumiu o compromisso de reduzir 40% das emissões provenientes do desmatamento até 2020. ;Depois de ratificada, essa política também determinou que houvesse uma redução progressiva das emissões para o transporte público. A cada ano, a partir de 2011, haveria uma diminuição progressiva do uso de combustíveis fósseis de 10%;, acrescenta a gestora.

A expectativa do secretário de Meio Ambiente, André Lima, é que o estudo sirva como base para discussões com a sociedade. ;Precisamos tornar a cidade resiliente, adaptada e em condições de superar a questão climática com o bem-estar da população;, avalia André. O inventário de Emissões por Fontes e Remoções por Sumidouros de Gases de Efeito Estufa (GEE) do DF analisou o período que vai de 2005 a 2012 e é o primeiro a ser publicado no gênero.

"As nossas emissões são claramente afetadas pelo uso do solo. O nosso transporte deve ser trabalhado para que as emissões possam ser reduzidas;
Luiz Mourão, secretário do Fórum ONGs do DF e Entorno e ambientalista



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