Previdência pressiona

Previdência pressiona

postado em 30/06/2017 00:00

A Previdência Social foi a maior responsável pelo rombo de R$ 35 bilhões acumulado de janeiro a maio, que também foi o maior da história. Nesse período, o deficit previdenciário do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) somou R$ 70 bilhões. O resultado foi 40,8% maior que o registrado no mesmo período do ano passado, em termos reais (corrigido pela inflação). O superavit primário de R$ 35,4 bilhões obtido pelo Tesouro não foi suficiente para cobrir o saldo negativo.

As despesas com a Previdência, contudo, crescem em ritmo menos acelerado que os gastos com pessoal, impulsionados pelos reajustes acima da inflação concedidos aos servidores no ano passado. Enquanto os dispêndios com benefícios sociais avançaram 7,2% nos primeiros cinco meses do ano, para R$ 216 bilhões, os desembolsos com a folha de pagamento do governo federal saltaram 11,8%, para R$ 115,2 bilhões.

A secretária do Tesouro, Ana Paula Vescovi, reconheceu que o aumento desses gastos é preocupante. Mas minimizou o problema, afirmando que a alta embute a antecipação dos R$ 10 bilhões de precatórios nas duas rubricas. Em junho, serão mais R$ 8,9 bilhões.

Especialistas lembram que o rombo crescente das contas públicas é resultado também da frustração de receitas com tributos, porque a economia não consegue voltar a crescer no ritmo esperado pelo governo. Com isso, as previsões só pioram. A mediana das previsões computadas pelo Prisma Fiscal, levantamento feito pelo Ministério da Fazenda junto a especialistas do mercado, são de um deficit de R$ 148 bilhões neste ano. No mês anterior, a projeção era de R$ 142 bilhões.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já avisou que, em julho, quando será divulgada a próximo avaliação bimestral de receitas e despesas, o governo reduzirá para menos de 0,5% a taxa prevista para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, o que significará uma receita menor ainda. (RH)

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