Ideias em série

Ideias em série

Fernando Zago fundou um grupo de empresas que investem em tecnologia. Até um aplicativo para medir a felicidade da equipe foi criado

Gabriela Walker Especial para o Correio
postado em 02/09/2018 00:00
 (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)

;O que falta em Brasília é um ecossistema, uma cultura que possibilite o desenvolvimento e o empreendedorismo;
Fernando Zago



Fernando Zago foi emancipado pelos pais aos 16 anos para que abrisse sua primeira empresa formal, uma loja de revenda de doces, cachaças e artesanatos mineiros. O menino, sempre prestativo e cheio de ideias, tinha perfil de empreendedor e a família percebeu isso logo cedo. Hoje, aos 32 anos, Fernando é fundador e CEO do grupo Zago, que reúne uma série de empresas que investem em tecnologia e inovação para resolver problemas do dia a dia.

Entusiasta de tecnologia, o empresário trabalha para promover uma cultura de empreendedorismo na cidade e é mentor do Founder Institute, maior programa de aceleração de startups do mundo, com sede no Vale do Silício.

Pai de três crianças, Fernando tem uma rotina dinâmica e, quando não está brincando com os filhos, se dedica a inovar, pensando sempre em novos projetos e novas formas de mobilizar sua equipe. ;Trabalhamos de forma bem criativa e esse é um grande diferencial nosso. Se alguém do time chega com uma ideia revolucionária, amanhã a gente muda tudo e começa a trabalhar no melhor caminho;, explica.

A Zago Consultoria, Engenharia e Meio Ambiente nasceu há quase oito anos, fruto da insistência de Fernando, que, formado em direito, sonhava em ser engenheiro civil, como a mãe, funcionária aposentada do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e cofundadora da empresa. Sem se adaptar a carreiras convencionais, ele abandonou o emprego de professor universitário e embarcou totalmente na vida empresarial.

O início da Zago foi focado em gestão e supervisão de projetos ambientais e a equipe apostou em tecnologia para facilitar o trabalho em campo. ;Nosso time coletava os dados em papel, como todos fazem, depois levavam essas informações para o escritório, passavam para planilhas e, então, começavam a fazer algum tipo de processamento;, lembra.

O método era demorado e pouco produtivo. Para acelerar o trabalho, eles buscaram ferramentas dentro e fora do país, mas não encontraram referências que permitissem a manipulação dos dados de forma imediata e digital. ;Então, passamos a recrutar desenvolvedores e programadores para montar nossos próprios softwares;, diz Fernando.

Como resultado, a empresa passou a antever possíveis problemas em projetos e solucioná-los ainda na fase de execução. ;Em trabalhos em rodovias, por exemplo, conseguimos garantir menos acidentes e menos atropelamentos de fauna por pequenos ajustes que fizemos usando tecnologia e análise de dados.;

Aplicativo da felicidade
O trabalho multidisciplinar da empresa levou ao desenvolvimento de produtos em outras áreas. Entre os principais estão aplicativos como o Ésse, que nasceu de uma demanda interna para medir a felicidade da equipe e garantir a produtividade. A fórmula deu certo, despertou o interesse de clientes e passou a ser comercializada.

O mais novo produto da Zago está estreando no mercado depois de passar por uma fase de aceleração na ACE, especializada no fomento de startups. A plataforma, batizada como IVUUP, também foi inspirada por uma necessidade da equipe e nasce com intenções de alcançar um público internacional. ;Gosto de dizer que somos uma empresa global;, defende o empresário.

A ideia do IVUUP é juntar, em um só lugar, as diversas ferramentas acionadas por um usuário no seu dia a dia. ;Normalmente, você fica atolado com e-mail, WhatsApp, algum programa de produtividade, de gestão de documentos e outros mais. Você gasta muito tempo pulando de um lado para o outro, sem nunca saber onde a informação que precisa está;, explica ele. ;Essa é uma dor latente e o nosso produto tem o objetivo de sará-la, unindo todas as informações e melhorando a produtividade;, defende.

A Zago tem, hoje, cerca de 40 funcionários, mas foca em se tornar uma empresa de maior porte. Fernando se empenha para transformar Brasília em uma cidade de inovação e defende diferentes iniciativas que promovem o desenvolvimento de tecnologias locais. ;Temos muitos talentos aqui, boas escolas, boa educação e não acho que falte apoio ou dinheiro. O que falta em Brasília é um ecossistema, uma cultura que possibilite o desenvolvimento e o empreendedorismo."










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