Mundo apreensivo com o Brasil

Mundo apreensivo com o Brasil

A eleição de Jair Bolsonaro ganhou destaque nas publicações on-line, que ressaltaram a polarização da sociedade brasileira, expressa nas urnas. Editorias e artigos expuseram preocupação com a estabilidade da democracia no país

Paloma Oliveto
postado em 29/10/2018 00:00
 (foto: Gregg Newton/AFP)
(foto: Gregg Newton/AFP)

Foi com pessimismo e apreensão que a imprensa internacional estampou a vitória de Jair Bolsonaro (PSL). ;Um populista de extrema-direita, pró-tortura e pró-armas foi eleito o próximo presidente do Brasil;, apontou o inglês The Guardian, dizendo que o resultado ;surgiu de eleições dramáticas e com muita divisão, que parecem transformar radicalmente o futuro da quarta maior democracia do mundo;. Na seção de opinião, o jornal divulgou um manifesto assinado por acadêmicos e intelectuais da Association Autres Brésils, destacando que ;as ideias de Bolsonaro representam uma ameaça mortal para a liberdade, para os direitos fundamentais, para a obtenção de qualquer equilíbrio da Terra face às mudanças climáticas e para a jovem democracia do Brasil;.
O The New York Times afirmou que ;muitos brasileiros veem tendências autoritárias no Sr. Bolsonaro, que planeja colocar líderes militares nos principais postos e disse que não aceitaria o resultado se perdesse;. O jornal norte-americano lembrou que o presidente eleito ameaçou ;lidar com adversários políticos dando a eles a escolha de extermínio ou exílio;. Há uma semana, em editorial, a publicação afirmou que ;a escolha é para os brasileiros fazerem. Mas é um dia triste para a democracia quando a desordem e o desapontamento levam os eleitores à distração e abrem a porta para populistas ofensivos, cruéis e fascínoras;. O mesmo jornal publicou um artigo assinado pelo compositor Caetano Veloso. ;Se o Sr. Bolsonaro vencer essa eleição, os brasileiros podem esperar uma onda de medo e ódio;, pontuou o artista.

O espanhol El País, que no sábado se manifestou em editorial dizendo que ;Bolsonaro não é a solução;, afirmou ontem que ;brancos e ricos; foram a chave para a eleição do militar. O jornal destacou que, ;ao longo do último mês, esse ex-militar saudoso da ditadura não apenas se dedicou a demonizar perigosamente os adversários políticos, pintando-os como ;delinquentes;;, como ;não teve dúvidas em promover um discurso de ódio contra mulheres e minorias, que constituem a metade da população;.

Ao dedicar a manchete do site à vitória de Bolsonaro, o francês Le Monde disse que ;Jair Bolsonaro, militar reformado, às vezes rude, às vezes racista e homofóbico, incorpora o candidato ;antissistema;. Ele é apelidado de ;Trump dos Trópicos;. O ataque que sofreu na rua, em 6 de setembro, foi um ponto de virada na campanha;. Em um editorial, na semana passada, o jornal disse que ;a questão fundamental desta eleição brasileira é, pura e simplesmente, a sobrevivência de um regime democrático em um continente onde sua fragilidade é histórica;.

O Clarín, da vizinha Argentina, afirmou que a eleição do militar leva insegurança aos empresários do Mercosul. Em um artigo, o jornal disse que a vitória é ;o início de um novo ciclo na América do Sul desde a inauguração da democracia na região;.

Lembrando que ;o Brasil é e será o sócio especial e principal da Argentina, em termos diplomáticos e comerciais;, o texto afirma que a aliança estratégica entre as duas nações deve se manter. ;Os desafios que se colocam no futuro entre Buenos Aires e Brasília são numerosos e, provavelmente, vão requerer um amplo e profundo gerenciamento diplomático para fortalecer e aprofundar a convergência de interesses;.

O Público, de Portugal, disse em artigo que ;o resultado eleitoral não provocou sobressalto ou entusiasmo: é como se o país, por antecipação, já estivesse acostumado ao que oespera;. ;A ideia de espaço público foi totalmente aniquilada: Bolsonaro não responde a perguntas de jornalistas, a não ser em entrevistas previamente combinadas com órgãos de informação que sejam do seu agrado. Também não participa em debates e sequer se preocupa em arranjar pretextos plausíveis ou coerentes para não o fazer.;

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