IPCA-15 tem alta de 0,14%

IPCA-15 tem alta de 0,14%

Prévia de inflação desacelera em agosto, refletindo queda dos alimentos e das diárias de hotéis. Em 12 meses, indicador continua no teto

postado em 21/08/2014 00:00
 (foto: Marco Antonio Mauricio/Divulgação)
(foto: Marco Antonio Mauricio/Divulgação)

Com alívio nas diárias de hotéis e no preço de alimentos, a prévia da inflação oficial do país desacelerou para 0,14% em agosto. No entanto, quando considerada a variação anual, permaneceu muito próxima do teto da meta definida pelo governo, de 6,5%. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) acumulou em 12 meses, até agosto, alta de 6,49%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em julho, o indicador havia avançado 0,17%, acumulando em 12 meses alta de 6,51%. Desde o início do governo Dilma Rousseff, a inflação oficial vem se mantendo persistentemente ao redor do limite de tolerância, o que se tornou um tema crítico no momento em que começa a campanha eleitoral na televisão. E, conforme as estimativas dos especialistas, a carestia deve continuar nesse patamar nos próximos meses, apesar do alívio observado recentemente em preços importantes, como os de alimentos.

Com base nos dados divulgados ontem pelo IBGE, o economista Elson Teles, do Itaú Unibanco, que previa uma alta de 0,25% do IPCA cheio de agosto, aumentou a projeção para 0,27%, o que levaria a taxa de 12 meses para 6,53% ; ligeiramente acima do teto da meta. ;Para o ano, projetamos variação de 6,30%;, disse ele, em relatório distribuído ontem a clientes.

Flávio Combat, da Corretora Concórdia, também estima que a inflação oficial terminará 2014 em 6,30%. ;A expectativa é de que os alimentos mantenham a trajetória de acomodação ao longo de agosto e no começo de setembro;, afirmou o especialista, em análise distribuída ao mercado. Em agosto, segundo ele, o indicador deve subir 0,22%.

O IPCA-15 mede a variação de preços entre os dias 15 do mês anterior e o da divulgação da pesquisa. Já o IPCA, considerado o parâmetro oficial da inflação do país, registra a evolução entre os dias 1; e 30 de cada mês.

De acordo com o IBGE, o principal impacto de baixa no IPCA-15 de agosto, de 0,13 ponto percentual, foi exercido pelas diárias de hotéis. Por conta do fim da Copa do Mundo, os preços de hospedagem tiveram redução média de 23,54% em relação a julho, levando o grupo despesas pessoais a registrar deflação de 0,67% em agosto, após a alta de 1,74% no mês passado.

Outro efeito favorável veio de alimentos e de bebidas. Essa categoria de produtos teve redução média de 0,32%, com destaque para os preços da batata-inglesa, que recuaram 20,42%, e do tomate, com baixa de 16,50%.

Energia pressiona
O principal impacto de alta no mês veio da energia elétrica. Devido à seca que atinge grandes áreas do Sudeste e a intensa utilização de usinas termelétricas, de geração mais cara, os preços da eletricidade dispararam, levando o governo a montar um pacote bilionário de socorro às distribuidoras e a autorizar reajustes elevados de tarifas para o consumidor. Em agosto, o IPCA-15 captou uma alta média de 4,25% nas contas de luz que teve impacto de 0,12 ponto percentual no indicador. Com a energia mais cara, o grupo das despesas com habitação subiu 1,44% neste mês.

Os produtos que têm seus preços administrados ; cujos reajustes dependem de autorização ; foram largamente utilizados pelo governo para segurar o custo de vida, mas, recentemente, tem se tornado uma dor de cabeça. Além da energia, cujos custos dispararam, a gasolina deve aumentar após as eleições, como já admitiu o ministro da Fazenda, Guido Mantega.


; PIB avança
só 0,7%

A economia brasileira deve crescer somente 0,7% neste ano, segundo previsão da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), divulgada ontem. De acordo com os cálculos do Departamento de Economia da entidade, o Produto Interno Bruto (PIB) teve contratação de 0,2% no segundo trimestre, permaneceu estagnado no terceiro e terá avanço de apenas 0,3% nos últimos três meses de 2014. Entre os grandes setores econômicos, a indústria é que terá o pior desempenho, com queda de 1,6% na produção em relação ao ano passado. A agropecuária deve crescer 2,1%, e os serviços, 1,4%. Mostrando a falta de confiança dos empresários nos rumos do país e na política do governo, a Fiesp estima também que os investimentos na economia vão ter redução de 6,5% neste ano.

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