Crônica da Cidade

Crônica da Cidade

Em quem votar, eis a questão

por Conceição Freitas >> conceicaofreitas.df@dabr.com.br
postado em 30/09/2014 00:00

O Título de Eleitor, renovado, já está sobre a escrivaninha. Tenho de conferir o local de votação, que mudou com a minha mudança de CEP. E escolher os candidados. Será a tarefa mais modorrenta dos próximos dias. Desde que comecei a votar, no pós-ditadura, esta é a eleição mais pasmacenta de minha gloriosa carreira de eleitora. Posso contar que já contribui, com meu voto e, em alguns momentos, com militância política gratuita, nervosa e entusiasmada, para vitórias (e conquistas) inacreditáveis.

Desta vez, o título é só um pedaço de papel à espera de um gesto de burocrático civismo. Não votarei em branco nem anularei meu direito de escolha. Por mais confusa, injusta e contraditória que seja, a democracia ainda é o melhor jeito de administrar a convivência entre os cidadãos. Deixar de influir no resultado é o mesmo que sugerir a nostalgia de um outro regime, não democrático (toc-toc-toc).
É melhor errar do que se omitir.

Em sendo assim, escolherei os menos piores entre os candidatos. E, pela primeira vez, não votarei no partido, mas em candidatos do espectro que vai da centro-esquerda à esquerda propriamente dita. Houvesse um Ulysses Guimarães, um Severo Gomes, um Paulo Brossard, um Valdir Pires, todos eles emedebistas históricos, votaria no que resultou da frente democrática que derrubou a ditadura.

Ouvinte compulsoriamente assídua da propaganda eleitoral no rádio, eu me divirto e me pergunto: onde estarão os brasileiros e as brasileiras de pensamentos, ideias e nítida trajetória em defesa das grandes causas ou das pequenas e boas causas? São minoria no leque de candidatos que se apresenta.

Tirei a semana para escolher os meus candidatos e oferecer, graciosamente, a minha sugestão a meu filho (que vota pela segunda vez) e a quem interessar possa. Há sempre um desejo de interferir na decisão. Nos cargos majoritários, ficarei entre o menos pior e/ou aquele que representa, de algum modo, algo de novo na velha política brasileira, mesmo sem muita convicção no que de novidade se apresenta. Nos cargos proporcionais (deputado federal e distrital), vou de reeleição de uma deputada federal com currículo de combativa atuação em grandes causas e, no distrital, numa mulher com atuação no movimento negro.

É o que me tira do inédito estado de letargia desde a primeira vez que fui às urnas em 1978. Os coletivos, novo nome para o ativismo social em suas mais variadas motivações, são a boa-nova no exercício da cidadania no país. Unidos em causas das minorias, atividades culturais, projetos alternativos de sociedade (de um coletivo saiu o vencedor do festival de cinema de Brasília deste ano). Os coletivos da periferia das grandes cidades são um esboço de novo jeito de fazer política; Quem sabe, em 2018, meu título de eleitor esteja mais animado.

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