Velhas propostas como resposta

Velhas propostas como resposta

Após onda de protestos que tomou conta do país, a presidente Dilma fala em "humildade", admite erros e promete novamente projetos anticorrupção e reforma política

PAULO DE TARSO LYRA JULIA CHAIB
postado em 17/03/2015 00:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Um dia depois dos protestos que sacudiram as ruas das principais capitais do país, a presidente Dilma Rousseff e os ministros voltaram a defender a necessidade da reforma política. Em entrevista após a sanção do novo Código de Processo Civil (leia mais na página 6), ela repetiu que encaminhará ao Congresso o pacote anticorrupção prometido durante a campanha eleitoral. ;É basicamente o que anunciamos durante a campanha. Na elaboração de leis, é preciso cuidado porque elas mexem com o futuro do país;, justificou.

Também saiu em defesa do ajuste fiscal implementado pela equipe econômica, alvo de críticas até mesmo do PT e de centrais sindicais, como a CUT. Ela admitiu que pode ter havido erros na dosagem de algumas propostas econômicas, mas que elas foram importantes para se manter o emprego no país e foram tomadas porque a economia não respondeu aos estímulos externos. ;Ninguém pode dizer que não tentamos de tudo (para ela responder);, disse. ;Algumas pessoas acham que o caminho ideal era deixar algumas empresas quebrassem. Nós não pensamos assim.;

Para tentar amenizar o impacto negativo das primeiras avaliações dadas pelo próprio governo sobre as passeatas de domingo, Dilma reforçou a necessidade do diálogo. A presidente disse que é preciso ter humildade, e que agirá assim se as pessoas apontarem as situações em que ela precisa ter. ;Você só pode abrir diálogo com quem quer abrir diálogo. Eu procurarei abrir com quer for. Se alguém achar que não fui humilde em algum diálogo, me digam hoje e eu posso rever minha posição.;

A nova postura veio após a reunião ampliada do Conselho Político, com a presença de ministros de outros partidos, além do PT, realizado na manhã de ontem. No domingo à noite, pouco depois das manifestações, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, afirmou que ;os protestos foram feitos por quem, basicamente, tinha votado na oposição, não no PT;. Segundo apurou o Correio, no encontro de ontem, Dilma foi alertada de que esse discurso aumenta o ódio e não resolve a insatisfação popular, já que, mesmo que tenham votado na oposição, os manifestantes são cidadãos que pagam impostos e querem um governo que atenda às necessidades deles.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também defende o diálogo, desembarcou ontem à noite em Brasília para mais uma reunião com a presidente Dilma no Palácio da Alvorada. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, também veio para a capital federal, cancelando agendas em São Paulo. Dilma ressaltou, na entrevista, que os atos de domingo foram democráticos, mas que a ;instabilidade não ajuda ninguém;. ;O Brasil é de fato uma democracia, em que você vê acontecer manifestações pacíficas, sem violência;, afirmou. ;Mas é uma temeridade pensar que alguma situação de instabilidade seria positiva a alguém.;

Fies

A presidente também fez outra meaculpa em uma área sensível do governo e que vem sendo alvo de críticas: a educação. Ela admitiu, pela primeira vez, que o governo errou ao permitir que o Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) deixasse todo o serviço de disposição de matrículas a cargo das instituições particulares de ensino superior. ;Não fazemos isso com o Prouni, não fazemos com o Enem, não fazemos com ninguém. Isso não é culpa do setor privado. Fomos nós que fizemos isso", disse Dilma.

A saída do governo
Executivo repete propostas que não saem do papel para contornar a crescente crise política:

Pacote anticorrupção

; A presidente Dilma prometeu enviar ao Congresso, nos próximos dias, um pacote de leis para combater a corrupção no país. São as mesmas iniciativas legislativas que ela havia anunciado durante a campanha eleitoral do ano passado.

Reforma política
; O governo e a presidente reforçaram o argumento de que é preciso realizar uma profunda reforma política para combater o esquema de corrupção derivado do financiamento privado de campanhas eleitorais. Esse proposta foi feita, mais intensamente por Dilma, após as manifestações de junho de 2013.

Medidas de ajuste fiscal
; A presidente voltou a defender as medidas de ajuste fiscal implementadas pela atual equipe econômica e que deram combustível às manifestações de sexta-feira, organizadas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), e no domingo, organizada pelos movimentos que defendem a saída de Dilma.

;Você só pode abrir diálogo com quem quer abrir diálogo. Eu procurarei abrir com quer for. Se alguém achar que não fui humilde em algum diálogo, me digam hoje e eu posso rever minha posição;

;O Brasil é de fato uma democracia, em que você vê acontecer manifestações pacíficas, sem violência (;) mas é uma temeridade pensar que alguma situação de instabilidade seria positiva a alguém;

;Ela (a corrupção) é uma senhora bastante idosa em nosso país, tanto que não poupa ninguém (;) O dinheiro tem esse poder de corromper;


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