Nas entrelinhas

Nas entrelinhas

por Leonardo Cavalcanti leonardocavalcanti.df@dabr.com.br
postado em 02/10/2015 00:00

Sobre erros e indefinição

A indefinição de Dilma Rousseff sobre o desenho final da reforma ministerial atrapalha ainda mais o Palácio do Planalto. Por mais que a presidente pareça disposta a dar espaço aos aliados ; leia-se aos peemedebistas ; para manter a governabilidade, o sinal mais evidente é de uma dificuldade em acomodar os políticos nos cargos. Não que a equação seja fácil de ser resolvida, mas a cada dia que passa, o desgaste aumenta, e o preço da barganha também, afinal se trata do PMDB. Em última forma, a troca de comando nas pastas está prevista para ser anunciada ainda na manhã de hoje.

A reforma ministerial é toda pensada em dar mais algum fôlego à Dilma no Congresso. Se os peemedebistas querem o Ministério da Saúde, entreguem a pasta o mais rápido. Se não querem Aloizio Mercadante na Casa Civil, despachem o petista para a Educação, numa espécie de queda para cima, e desarranjem a Defesa, que ; mesmo com os graves cortes orçamentários ;, estava sendo tocada pelo ministro Jaques Wagner. Os petistas parecem resignados com as trocas, inclusive com a perda do orçamento da Saúde, de R$ 109 bilhões, o maior da Esplanada.

A patinada de Dilma na reforma ministerial, em várias momentos, foi desnecessária, como é o caso da Controladoria- Geral da União (CGU), ameaçada de ser fatiada e perder o status de ministério. Durante quase três dias, o Planalto apanhou depois de ver vazada a informação de que bombardearia o órgão. De ministro do STF, passando pelo ex-comandante da pasta e até sindicalistas, todos bateram na tecla de que o esfacelamento da Controladoria afrouxaria o combate à corrupção, justamente neste momento vivido pelo país. Depois de uma bate-cabeça característico do Planalto, veio a decisão de manter a CGU fortalecida.

É impossível saber qual o cálculo do governo em um dia ter pensado em reduzir o poder da CGU. O fato é que teve de voltar atrás. Uma coisa é certa: perdeu tempo. E tudo que Dilma não tem mais condições é perder tempo.

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