Formatos inusuais em prática

Formatos inusuais em prática

postado em 12/11/2017 00:00
 (foto: 60 Minutres Escape Game/Divulgação)
(foto: 60 Minutres Escape Game/Divulgação)

Desafio em forma de game

Você entra em uma sala ambientada na Guerra Fria e, lá dentro, junto de um time, terá de desvendar um plano soviético para o desenvolvimento de uma arma superpoderosa. Os participantes recebem pistas em áudio e são monitorados por câmeras. Apenas as equipes que descobrirem o esquema poderão sair da sala e o objetivo é deixar o espaço antes do limite de tempo, de meia hora ou uma hora. Esse tipo de desafio parece mais história de jogo ; e é mesmo. No entanto, o método tem sido usado também para monitorar o comportamento de candidatos e entender como eles atuam diante de problemas. O enredo do período de disputa entre Estados Unidos e União Soviética é apenas um dos aplicados no 60 Minutos Escape Game, empresa de jogos presenciais que, em Brasília, operava no Taguatinga Shopping e está de mudança para o Pier 21.


Gêneros como aventura, terror, suspense e investigação, com diversos níveis de dificuldade dominam as atividades. Comunicação, trabalho em equipe, iniciativa, gestão de tempo, administração de conflitos, liderança, persuasão, resiliência, controle emocional, raciocínio lógico, planejamento e organização são as 12 competências avaliadas em parceria com a Crinova, consultoria de soluções estratégicas. Após o game, os presentes preenchem o teste de análise comportamental Disc. No fim, um relatório completo é entregue à instituição que recrutará os candidatos.


;O documento é baseado em uma avaliação psicológica, associada ao registro de eventos comportamentais e a própria observação do monitor;, afirma Igor Barros, consultor organizacional da Crinova. O trunfo é o fator surpresa, pois força o candidato a revelar a verdadeira identidade. ;As entrevistas convencionais fazem com que as pessoas se preparem bem para fazê-las e, muitas vezes, o relato não representa o que elas são realmente. Quando colocamos os candidatos em situações que os tiram da zona de conforto, demonstram toda essa parte de comportamento que, muitas vezes, não é perceptível apenas em conversa;, comenta Igor Barros, psicólogo pela UnB. ;O indivíduo pode até chegar disposto a ajudar todos e ganhar pontos em trabalho em equipe, mas, assim que entra na sala de interação, se apresenta da forma que realmente é;, afirma Wagner Tomaz, diretor de Operações do 60 Minutos Escape Game.


A ideia de oferecer esse serviço surgiu quando ele e três sócios notaram que os games não servem só para entretenimento. ;Percebemos que as pessoas mudavam de comportamento de um jogo para outro com grupos diferentes. Por exemplo, alguém agia de modo mais reservado com a família, mas, com os colegas, tomava a frente das decisões;, conta. Igor Barros pondera, no entanto, que os resultados do processo devem ser analisados com cuidado, pois não são suficientes para rotular o que uma pessoa é: o jogo apenas ajuda a apontar pontos fortes e fracos demonstrados no desafio.


;Vamos supor que o candidato bateu o carro naquele dia ou brigou com o cônjuge e veio fazer a seleção. É natural que não se concentre tão bem ali. Então, não posso taxá-lo como desconcentrado ou desinteressado;, observa. ;A gente faz com que as pessoas esqueçam o mundo externo para serem o mais naturais possível. Nós, avaliadores, conseguimos ter um grau de percepção melhor delas naquele momento;, conclui. Renata Gadelha de Sá, 35 anos, consultora de recursos humanos da consultoria Dynargie, conheceu o método, chamado de Escape Analisys, e gostou do que viu. ;O retorno vale a pena;, diz. ;O jogo traz para nós, de maneira mais clara e assertiva, o que a pessoa tem para oferecer e o que pode ser melhorado. Não é só olhar o que é bom, mas também o que não é tão legal e que pode ser trabalhado a partir de feedback;, avalia.

Eu, repórter

;Participei de um desafio do 60 Minutos Escape Game para conhecer o método de seleção. Antes de entrar na sala, recebi instruções dos psicólogos. Em seguida, eu e os outros participantes fomos divididos em três grupos de três pessoas cada um. No ambiente, descobrimos que nosso jogo seria Guerra Fria ; missão URSS. Nossa meta era invadir um galpão suspeito e coletar o máximo de informações sobre o plano soviético, que era o desenvolvimento de uma arma muito poderosa. Todo o mistério deveria ser resolvido em 30 minutos. A sala do jogo ficava trancada com chave, era toda branca e equipada com objetos que simulavam componentes químicos, cofres de segurança, senhas e códigos. Para combinar com o tempo, até a temperatura da sala foi regulada: ficou gelada. Tínhamos direito a três dicas e precisávamos apertar um botão para recebê-las por meio de som. Infelizmente, meu grupo não conseguiu resolver o enigma no tempo estipulado. Mas a experiência foi muito interessante, pois entendemos que, para solucionar os problemas no prazo, é necessário o esforço de todos os participantes. Diante da pressão, comportamentos mudam e decisões rápidas precisam ser tomadas.;

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