Fuga de venezuelanos

Fuga de venezuelanos

Depois do ataque de brasileiros, cerca de 1,2 mil imigrantes retornam para o país natal com medo de mais retaliações. Governo enviará 120 homens da Força Nacional para a região

Gabriela Vinhal
postado em 20/08/2018 00:00
 (foto: Alan Santos/PR)
(foto: Alan Santos/PR)


O ataque de brasileiros a venezuelanos em Pacaraima, fronteira de Roraima com o país vizinho, trouxe preocupação ao Palácio do Planalto. Com medo de uma nova represália, ao menos 1,2 mil imigrantes deixaram o Brasil no fim de semana, segundo o comandante da base local da Operação Acolhida na região, coronel Hilel Zanatta. A situação fez com que o presidente Michel Temer se reunisse ontem, no Palácio da Alvorada, com um grupo de ministros para traçar novas estratégias de segurança no estado. Entre as medidas adotadas está o envio de 120 militares e 36 voluntários da área de saúde, que atuarão nos hospitais universitários da região.

No sábado, cerca de mil brasileiros foram às ruas em um protesto contra a permanência dos venezuelanos no país. A manifestação foi convocada após um grupo de quatro estrangeiros assaltar um comerciante local. Eles roubaram R$ 23 mil de Raimundo Nonato de Oliveira, 55 anos, atacado quando chegava em casa. A vítima sofreu uma lesão na cabeça, possivelmente causada por uma paulada. Ele foi levado a Boa Vista em estado grave, mas a situação, segundo último boletim de ocorrência, indica que já está estável. O ato, no entanto, se dispersou e manifestantes, em bandos, passaram a destruir acampamentos e pertences dos imigrantes que estavam nas ruas.

;O governo federal continua em condições de empregar as Forças Armadas para a Garantia da Lei e da Ordem. Por força de lei, tal iniciativa depende da solicitação expressa da senhora governadora do estado;, informou o texto divulgado pelo Palácio do Planalto. Ontem, a governadora Suely Campos pediu, por meio de ofício encaminhado ao Planalto, reforço para a segurança. No documento, ela afirmou que a demanda é antiga ; desde 2016, quando a onda migratória se intensificou ; e que não era atendida por Temer.

O reforço de militares cedidos a Roraima seguirá em duas etapas: 60 que estavam de sobreaviso em Brasília já foram enviados; e a outra metade seguirá nos próximos dias. Na reunião, ficou decidido também que os esforços de interiorização de venezuelanos para outros estados serão intensificados. A ideia é dividir os imigrantes em novas localidades para reduzir a pressão sobre Roraima, principal porta de entrada para a população vizinha. As cidades de São Paulo, Manaus, Cuiabá e Brasília já receberam uma leva de refugiados.

Além disso, será criado um ;abrigo de transição; em Roraima, entre Boa Vista e Pacaraima, para dar suporte aos venezuelanos, enquanto eles aguardam a interiorização, ;de forma a reduzir o número de pessoas nas ruas;. Uma comissão interministerial seguirá para o estado ;para avaliar medidas complementares, que se somarão às anteriores já tomadas.;

As providências já adotadas para lidar com a crise humanitária na fronteira, segundo Temer, somam mais de R$ 200 milhões. Estão nesse cálculo a construção de 10 instalações para abrigar temporariamente os venezuelanos, das quais duas estão prestes a ser concluídas, o processo de interiorização e o ordenamento da fronteira, ;com controle e triagem adequados, e com a ampliação da presença da União nas áreas social e de segurança.; A nota informa ainda que o Itamaraty está em contato com autoridades venezuelanas, que pediram às autoridades brasileiras as ;garantias correspondentes aos nacionais venezuelanos e que tome as medidas de proteção e segurança de suas famílias e bens;.

Participaram do encontro os ministros da Defesa, Joaquim Luna e Silva; da Segurança, Raul Jungmann; da Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen; da Educação, Rossieli Soares; de Minas e Energia, Moreira Franco; e o secretário-geral das Relações Exteriores, Marcos Galvão. Hoje, uma nova reunião será realizada para ;concluir as negociações para o início das obras do ;linhão; que permitirá a integração de Roraima ao sistema elétrico nacional.;


"O governo federal continua em condições de empregar as Forças Armadas para a Garantia da Lei e da Ordem"
Trecho da nota divulgada pelo Palácio do Planalto

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