Dólar cai e fecha cotado a R$ 4,02

Dólar cai e fecha cotado a R$ 4,02

postado em 02/10/2018 00:00

Apesar do otimismo no exterior com o novo acordo entre Estados Unidos, México e Canadá (USMCA), o mercado brasileiro teve direção mista ontem, com retração na Bolsa e na cotação do dólar norte-americano. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), encerrou o pregão com queda de 0,91%, aos 78.624 pontos. Já a divisa dos EUA fechou o dia negociada a R$ 4,02, com depreciação de 0,67%.

Segundo analistas, as atenções dos investidores estão concentradas na ;semana D; das eleições, com pesquisas de intenções de voto sendo divulgadas diariamente. Para Fernanda Consorte, estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, o novo tratado comercial pouco interfere no cenário brasileiro. ;O acordo, que só deve ser assinado em novembro, é positivo ao se pensar que haverá uma guerra comercial a menos. Porém, a questão dos EUA com a China é muito mais preocupante para o cenário global;, reiterou.

Na visão de Renan Silva, economista da BlueMetrix Ativos, o mercado não reagiu conforme a expectativa de analistas no pregão de ontem. ;Surpreendeu um pouco. O mercado esteve menos volátil e ficou de lado, tanto é que o câmbio ficou quieto e, dadas as incertezas eleitorais, esperava mais variações. É um comportamento de contradição;, explicou.

Segundo Silva, duas companhias tiveram forte desvalorização no pregão de ontem, situação que ditou o rumo da Bolsa. ;As ações da Qualicorp se depreciaram 29%, um tombo muito grande em um dia. Parte desse resultado poderia ser atenuado. Além disso, as da Via Varejo desvalorizaram 14%. Em suma, os dois papéis contribuíram para um dia ruim;, explicou. Para Renan, a expectativa é de que o comportamento da Bolsa hoje seja decisivo para o rumo do mercado na semana.

Na análise de Fernanda, da Ourinvest, a expectativa é de que não haja grandes variações nos próximos pregões. ;Eu acho que não vai haver forte volatilidade, só se tiver surpresa nas pesquisas divulgadas. Se você olhar para as duas últimas semanas, Fernando Haddad (PT) chegou perto (de Bolsonaro nas pesquisas), e o mercado não piorou. Friamente, o mercado está dando o benefício da dúvida, mas a situação já deve ser outra em um eventual segundo turno de correria;, justificou.

Para Jefferson Laatus, sócio-fundador do grupo Laatus, entretanto, a semana promete ser delicada. ;Apesar de pesquisas firmarem Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno, há um certo temor de como vai ser a força do Fernando Haddad (PT) em uma disputa direta;, constatou. De acordo com Laatus, os próximos quatro dias devem ser de oscilações. ;Essa semana é decisiva, porque, pegando o histórico de 2014, muitos eleitores devem se decidir na reta final;, analisou.

No cenário internacional, Wall Street viveu um dia de bom humor, com alta de 0,73%. Em relação às principais divisas de emergentes, o dólar teve desvalorização, com destaque para a lira turca e o peso argentino, que se valorizaram em relação à moeda norte-americana. (GP*)

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