Origem e preconceito

postado em 02/02/2014 00:00
 (foto: Reprodução de internet)
(foto: Reprodução de internet)
Repsold diz também que o início do impulso sexual excessivo reúne vários fatores. ;O paciente tem uma tendência pessoal, genética, uma fragilidade herdada. Se ele se expuser àquele fator em que é mais vulnerável, tem chance menor de conseguir se segurar;, afirma. No entanto, conforme o psiquiatra, não se pode ignorar as próprias experiências de vida que podem desencadear, de forma psicológica, a compulsão. ;A pessoa acaba desenvolvendo uma compulsão à medida que a ação serve para distrair a ansiedade que ela tem em lidar com conflitos que lhe são insuportáveis. Ou seja, ela desvia a forma de lidar com o problema para uma outra atividade. Mas isso se dá inconscientemente;, frisa o especialista. Segundo ele, alguns comportamentos envolvem o prazer espontaneamente. ;A pessoa repete, repete e acaba viciando;, diz.

Paulo Repsold conta que, na história da medicina, a pesquisa em vícios artificiais ; como o de drogas, por exemplo, foi o que ajudou a compreender os vícios internos, onde se enquadram as compulsões. ;O vício espontâneo foi percebido após o entendimento do vício em drogas;, conta. Para o especialista era comum ; mas infelizmente ainda é ; que as pessoas que sofriam de alguma compulsão fossem julgadas com termos como ;vagabunda; ou ;tarado;.

O vício em sexo, mas também outros tipos de comportamentos compulsivos, está imbuído de discriminação. Segundo o especialista, esse preconceito contra doenças psiquiátricas tem dois alvos: a doença em si e o doente. ;O preconceito com o doente manifesta-se no medo de a pessoa surtar, de não querer conviver com o paciente. Mas o pré-julgamento mais nocivo e que muitas vezes não é percebido é o de não reconhecer a doença mental. As pessoas julgam como uma questão moral. Não acreditam na doença, acham que a pessoa está inventando, que é um problema social, um problema estritamente psicológico;, observa. Paulo Repsold não nega a influência dos componentes sociais, mas exagera para provocar a reflexão: ;ninguém fica esquizofrênico porque é pobre;. E reforça: ;É doença mesmo. Não é opção. A pessoa sofre;.

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