Mi casa es su casa

Mi casa es su casa

Mesmo em menor número, torcida mexicana supera a brasileira em animação, ocupa um quarto dos assentos do Castelão e rouba a cena em empate sem gol. Neymar e Thiago Silva, com as melhores chances, são parados pelo goleiro Ochoa

BRAITNER MOREIRA Enviado Especial
postado em 18/06/2014 00:00
 (foto: Odd Andersen/AFP
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(foto: Odd Andersen/AFP )


Fortaleza ; A melhor disputa entre torcidas nesta edição da Copa do Mundo não teve uma partida exatamente à altura, na tarde de ontem. No meio dos gritos e da cantoria de 60 mil pessoas nas arquibancadas do Castelão, em Fortaleza, o Brasil tropeçou no México, empatou por 0 x 0 e adiou a classificação às quartas de final para o jogo contra Camarões, no Mané Garrincha, pela última rodada da fase de grupos.

Dezesseis mil mexicanos compraram ingressos para o confronto, segundo a Fifa. Os adversários ocuparam pouco mais de um quarto do estádio, mas não demoraram para virar o jogo fora de campo. Os brasileiros largaram na frente, com a já habitual capela na segunda parte do Hino Nacional, apresentação que fez Neymar e Thiago Silva chorar. Mas não foram muito além disso.

Mesmo em Fortaleza, cidade que se tornou para os jogadores uma espécie de capital do apoio incondicional à Seleção, as tentativas de incentivar o time no decorrer do jogo terminaram frustradas: na garganta, não foi possível superar o ;ay, ay, ay, ay, canta y no llores; que vinha de todas as partes em que houvesse torcida mexicana.

Jogadores e fãs estiveram juntos na alegria e na tristeza. Enquanto os cânticos em espanhol ainda não sobressaíam, o time de Luiz Felipe Scolari conseguiu dominar os comandados de Miguel Herrera.Após o intervalo, quando não havia mais disputa pelo título de torcida mais animada, o México, inicialmente, parou a Seleção. Depois, aproveitou-se da marcação frágil pelas laterais para ameaçar derrotá-la.

Nas mãos do goleiro
O Brasil só não chegou ao gol por causa de quatro boas defesas de Ochoa, porém parou mais na falta de criação de jogadas do que nas mãos do goleiro mexicano. Todos os lances de perigo saíam dos pés de Neymar, isolado na armação. Mais uma vez, o camisa 10 da Seleção atuou centralizado, com Oscar, Ramires, depois Bernard, se dividindo no trabalho nas pontas. O craque do Barcelona voltou para marcar, distribuiu o jogo e ainda conseguiu finalizar três vezes. Aos 24 minutos, na principal delas, cabeceou no canto um bom cruzamento de Daniel Alves. Ochoa defendeu no contrapé.

Depois do lance de Neymar, a Seleção permitiu que o México finalmente se orientasse. A partir de então, o mesmo adversário que levou sete minutos para conseguir trocar três passes seguidos pareceu encontrar facilidade para impedir que o domínio brasileiro da posse de bola se transformasse em perigo. O time de Scolari só teria outra oportunidade aos 42, quando Thiago Silva ajeitou para Paulinho finalizar, livre na área. E perder o gol, com um chute em cima de Ochoa.

Durante a etapa final, os reflexos de Ochoa ainda impediriam um gol de Neymar (aos 23 minutos, em chute colocado de esquerda) e um de Thiago Silva (aos 40, de cabeça, em jogada de escanteio). Apesar das oportunidades, a apreensão da torcida superou a confiança quando, aos 44, houve quem gritasse gol após um chute de Guardado que bateu na rede antes de aterrissar na arquibancada. Depois da melhor primeira rodada dos mundiais na era moderna, coube ao Brasil abrir a segunda etapa com uma sensação de nostalgia dos jogos de outras copas.

Copo meio vazio
O Hino Nacional à capela voltou a emocionar os jogadores, mas o pedido do zagueiro Thiago Silva para que a torcida cantasse abraçada não foi seguida nem por metade do público do Castelão. A campanha nas redes sociais para que o hino fosse cantado na volta para o segundo tempo também acabou frustrada.


Saiba mais
Largada frustrada

Com o tropeço, quebrou-se uma marca de três décadas: desde o Mundial de 1982, a Seleção Brasileira venceu as duas primeiras partidas da Copa. O último tropeço havia sido em 1978, quando começou a campanha com dois empates seguidos.


0 Brasil
Julio Cesar; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz, Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho, Oscar (Willian), Ramires (Bernard); Fred (Jô) e Neymar
Técnico: Luiz Felipe Scolari

0 México
Ochoa; Rodríguez, Rafa Marquez, Moreno; Aguilar, Herrera (Fabian), Guardado, Vazquez, Layún; Giovani dos Santos (Jiménez) e Peralta (Hernández)
Técnico: Miguel Herrera

Cartões amarelos: Ramires, Thiago Silva, Aguilar e Vazquez
Árbitro: Cüneyt Çakir (Fifa/Turquia)
Público: 60.342 pagantes

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