PIOR QUE O 7 x 1

PIOR QUE O 7 x 1

No treino do Grêmio, Felipão insinua para qualquer um ouvir que o goleiro Aranha armou na reação aos xingamentos da torcida tricolor e questiona se os jornalistas vão cair novamente na "encenação" no reencontro de amanhã com o Santos, na Arena, pelo Brasileirão

postado em 17/09/2014 00:00
 (foto: Yasuyoshi Chiba/AFP )
(foto: Yasuyoshi Chiba/AFP )

Não basta ser humilhado por 7 x 1 pela Alemanha em uma semifinal de Copa do Mundo. É preciso golear a própria biografia com uma insinuação abominável. Aos 65 anos, Luiz Felipe Scolari conseguiu fazer algo pior do que escalar e posicionar mal a seleção em campo no maior vexame da história centenária da Seleção Brasileira. No treino de ontem, em Porto Alegre, para o reecontro de amanhã com o Santos, na Arena, pela 22; rodada do Brasileirão, o treinador insinuou que o goleiro Aranha armou ao denunciar os atos racistas de parte da torcida tricolor contra ele na partida de ida das oitavas de final da Copa do Brasil. Uma torcedora chegou a ser flagrada gritando ;macaco; em direção ao camisa 1.

Ressentido com a exclusão do Grêmio da Copa do Brasil, Luiz Felipe Scolari se aproximou, ontem, dos jornalistas e soltou uma frase perguntando se a imprensa ;iria cair na esparrela do goleiro de novo; no encontro de amanhã. ;JP (João Paulo Fontoura, assessor de imprensa do departamento de futebol), vê aí se eles vão cair na esparrela do Aranha de novo. Fala com eles. Diz pra eles;, disparou Felipão entre o gramado do Olímpico e o banco de reservas.

A revolta de Felipão tem a ver com a linha de defesa que o Grêmio ensaia para o julgamento no Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, no próximo dia 26. A cúpula tricolor avalia que Aranha exagerou na reação aos xingamentos da arquibancada norte da Arena, em 28 de agosto. O vice-presidente do clube, Adalberto Preis, manifestou um raciocínio semelhante em uma rede social. Na opinião dele, o camisa 1 do Santos encenou e citou a falta de registro na súmula (atualizada no dia seguinte ao jogo) na argumentação.

As declarações de Felipão e de Adalberto Preis estão na contramão da nota emitida pelo Grêmio no dia seguinte ao jogo, condenando as imagens em que a torcedora Patrícia Moreira chama Aranha de ;macaco;. No texto publicado no site oficial, o Grêmio admite o insulto racial ; contrarianto a tese de que Aranha encenou ; e trata o fato como isolado.

Nos bastidores, a atenção do Grêmio e da Arena Porto-Alegrense, empresa responsável pela administração do estádio, é redobrada. Houve modificação no sistema de venda de ingressos da arquibancada norte, de onde partiram as agressões. As alteração têm como objetivo facilitar a identificação dos torcedores em caso de novos incidentes no duelo de amanhã. Os organizadores da partida colocarão inclusive orientadores infiltrados no meio da torcida.

Tricolor desiste de recepção especial
O Grêmio cogitou uma recepção especial ao goleiro Aranha, do Santos, na partida de amanhã, na Arena. Algum gesto que representasse um pedido de desculpas e que suavizasse a imagem do clube no julgamento em segunda instância no STJD, no próximo dia 26, mas desistiu. ;Só poderia haver iniciativa nesse sentido se houvesse disposição de parte dele. Como não ocorreu, respeitamos. Ele foi ofendido e está no seu pleno direito de não aceitar qualquer aproximação;, disse o vice-presidente Nestor Hein.

Análise da notícia
Depois do Pinochet, o Aranha

Marcos Paulo Lima

Não é de hoje que Luiz Felipe Scolari comete atrocidades com sua língua indomável. O gol contra de ontem, talvez o maior da biografia de um treinador vencedor, é mais uma da série de declarações que ele deveria ao menos pedir desculpas publicamente. Em uma entrevista à rádio Jovem Pan, em 1998, quando comandava o Palmeiras, Felipão chegou a elogiar o regime do general Augusto Pinochet, no Chile e gerou polêmica. ;Pinochet fez muita coisa boa também. Ajeitou muitas coisas lá (no Chile). O pessoal estava meio desajeitado. Ele pode ter feito uma ou outra retaliaçãozinha aqui e ali, mas fez muito mais do que não fez;, afirmou o treinador.

Saiba mais
Para bom entendedor...
O dicionário Houaiss define a palavra esparrela usada por Felipão no caso Aranha assim: ;Tipo de armadilha de caça; logro, peça, armar uma esparrela para alguém;.

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