Atirador ainda foragido

Atirador ainda foragido

Polícia prende dupla suspeita de participar do atentado à bala que matou sobrinho-neto do candidato a governador Jofran Frejat no Setor de Clubes Sul. Rixa entre jovens do Guará teria motivado o autor dos disparos

MARYNA LACERDA
postado em 30/09/2014 00:00
 (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)

Uma disputa entre grupos rivais do Guará resultou na morte do estudante Victor Barbosa Gaze Sobral, 21 anos, na sexta-feira. O jovem era sobrinho-bisneto do candidato a governador Jofran Frejat (PR) e foi atingido na porta de uma festa, no Setor de Clubes Esportivos Sul, quando decidia com a namorada se participaria do evento. O projétil que perfurou o tórax de Victor era destinado a outro rapaz, ferido na coxa durante os disparos, feitos a partir de um Uno prata. Os suspeitos e o alvo do atentado haviam brigado anteriormente e têm diversas passagens pela polícia, além de infrações análogas a crimes, cometidas na época em que ainda eram menores de idade. Dois ocupantes do veículo foram presos no fim de semana, e o atirador permanece foragido.


Segundo a polícia, o condutor do Uno prata era Pedro Henrique de Castro, 22 anos, e o carro é registrado no nome dele. Pedro foi preso no domingo, por volta das 9h, na casa da namorada, na QE 40, no Guará II. A abordagem dos policiais ocorreu quando ele se dirigia ao veículo, estacionado a poucos metros da residência dela, uma adolescente de 17 anos. O rapaz portava um revólver .38, sem autorização para posse.


Em depoimento, Pedro Henrique explicou que saiu à procura do desafeto, no dia do crime, para vingar o espancamento que sofreu em 1; de setembro. ;O rapaz ferido na coxa e outras seis pessoas espancaram Pedro Victor, no Guará, há menos de um mês. Segundo disse, apanhou porque andava com outro rival, o atirador, que está foragido. Ele não registrou ocorrência, porque queria resolver a questão sem o apoio da polícia;, contou a delegada-chefe da 1; Delegacia de Polícia (Asa Sul), Mabel Corrêa.


Na ficha criminal de Pedro Henrique, constam atos infracionais por roubo e ameaça. Chegou-se ao nome dele após o cruzamento de dados do veículo com as características físicas dos supeitos, informadas por testemunhas. A namorada de Pedro Henrique acompanhou a ação criminosa, do banco do passageiro. Inicialmente, não se pode afirmar que ela tem participação direta no crime, uma vez que não colaborou com a vingança. Sem antecedentes criminais, a jovem é testemunha em outro homicídio.


;A princípio, ela não configura como acusada, porque trouxe informações relevantes desse crime e é testemunha em outro. Isso não significa que não venha a responder por ato infracional análogo ao crime de homicídio tentado e consumado;, explicou a titular da 1; DP.


Outro participante do homicídio de Victor, apontam as investigações, é Robert Lopes da Silva Gadelha, 19 anos. Ele estava no banco de trás do carro e acabou preso na QE 32, do Guará II. Na delegacia, confirmou que a motivação para o crime seria a rixa entre os grupos. ;O Victor foi alvejado por um erro de execução. O alvo era a vítima atingida na perna;, disse a delegada.


O terceiro suspeito, ainda foragido, tem 25 registros de crimes e atos infracionais, inclusive por homicídio. O trio deve responder por homicídio duplamente qualificado ; por motivo torpe e sem chance de defesa. A pena varia de 12 a 30 anos.

Sem esclarecimentos

O alvo original dos disparos chegou a ser levado a um hospital particular na Asa Norte. De lá, fugiu para não prestar esclarecimentos sobre o episódio, até por ter diversas passagens pela polícia. ;O rapaz tem se recusado insistentemente em colaborar com as investigações. Quando um agente ligou para ele, o jovem disse que não compareceria à delegacia, porque estava com fome;, afirmou Mabel, referindo-se ao homem baleado na perna.


Victor foi ferido de forma letal por volta das 22h, no Espaço Orla, próximo ao Clube de Engenharia e ao Shopping Pier 21, na sexta-feira. Um prójetil de pistola calibre 380mm perfurou o tórax, atingiu os pulmões e o coração e provocou uma hemorragia interna.


O estudante e a namorada não tiveram como se esconder, pois estavam sentados no meio-fio da calçada. Por isso, eles se abraçaram para tentar escapar das balas. ;Ao cessar dos tiros, a namorada viu que o estudante tinha sido atingido;, detalhou a delegada Mabel. A mãe do jovem, que mora na Indonésia, chegou no domingo a Brasília. Ontem, ela esteve na delegacia, mas preferiu não se manifestar sobre o ocorrido.

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