Os segredos de todos nós

Os segredos de todos nós

Vinicius Nader
postado em 02/10/2015 00:00
 (foto: Imovision/Divulgação)
(foto: Imovision/Divulgação)

Á primeira vista, O clube, novo filme do chileno Pablo Larraín (indicado ao Oscar por No em 2013), é uma saraivada de críticas à Igreja. Porém, visto mais de perto, o longa pode ser encarado como uma reflexão sobre a sociedade atual, na qual todos temos segredos e está cada vez mais difícil escondê-los.


A Igreja funciona como uma metáfora para a sociedade. Quatro padres foram mandados para uma casa à beira-mar ; o que rende belas imagens ; por terem cometido pecados graves. Lá, eles vivem sob os cuidados de uma religiosa que, descobre-se mais tarde, não é oficialmente freira, embora seja tratada como ;irmã; pelos sacerdotes.


Um quinto religioso chega para investigá-los e traz os delitos à tona. Temas caros à Igreja, como pedofilia, celibato e homossexualidade não ficam de fora. Os monstros de cada um deles ; e muitos dos nossos ; caem um a um.


O que poderia ser chato, com um quinteto de religiosos formais discutindo religião, se destaca pelo texto afiado do roteiro, recheado de tiradas irônicas por parte de todos os personagens. O clube, premiado com o Urso de Prata em Berlim e com quatro troféus no Cine Ceará, expõe uma Igreja dividida, que sangra por dentro. Exatamente como a sociedade moderna.

Duas perguntas
Pablo Larraín
O filme toca em temas difíceis para a Igreja, como a pedofilia. O senhor não acha que hoje a Igreja, com mais denúncias vindo
à tona, está mais transparente?

Vivemos um tempo em que é difícil de esconder algo que acontece. Não é só na Igreja. É na sociedade toda. Com as redes sociais ficou mais complicado. As denúncias e segredos são revelados a todo momento. E a cobrança também aumenta, há uma patrulha.

Os cinemas chileno e brasileiro dialogam?
Essa aproximação entre os cinemas latino-americanos ainda está devagar. Mas com ferramentas como o Netflix está
melhorando. O Chile só recebe os grandes filmes brasileiros, como Tropa de elite e Cidade de Deus. Acredito que o inverso também aconteça.

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