Rebelião na base republicana

Rebelião na base republicana

Eleitores da oposição rejeitam apelo de cardeais do partido e cerram fileiras com o bilionário Donald Trump

postado em 06/03/2016 00:00
 (foto: J Pat Carter/AFP)
(foto: J Pat Carter/AFP)



A campanha da cúpula republicana por ;todos contra Donald Trump;, o polêmico bilionário que lidera a corrida pela candidatura do partido à Casa Branca, corre o risco de funcionar como tiro que sai pela culatra. Parte do eleitorado respondeu com indignação às manobras de dirigentes da oposição para impedir a vitória do empresário na convenção de julho. Dois dias depois de figuras importantes do partido, como os ex-candidatos à presidência Mitt Romney e John McCain, praticamente suplicarem pelo apoio da base, o imbróglio que divide a legenda parece cada vez mais profundo, demonstrando a distância entre o comando da legenda e as preocupações dos eleitores.

;Nós sabemos quem Donald Trump é e vamos usá-lo para tomar o Partido Republicano ou implodi-lo;, disse um eleitor de Temecula, Califórnia, citado pelo jornal The New York Times. O pedido para que escolhessem uma alternativa ao bilionário levantou questionamentos entre os simpatizantes do pré-candidato, que denunciam uma tentativa de manipulação e prometem apoiá-lo até o fim.

Na tentativa de convencer os seguidores de Trump sobre os ;riscos; de sua escolha como candidato, Romney chamou o pré-candidato de ;farsa; e disse acreditar que ele não tem ;o temperamento de um líder estável e atencioso;. McCain fez coro às críticas e expressou preocupação com as ;perigosas declarações acerca de questões de segurança nacional; feitas por Trump. O maior temor do partido é que a nomeação do bilionário ;entregue; as eleições de novembro de bandeja para Hil-lary Clinton, provável candidata do Partido Democrata ; ou, pior, que abale definitivamente os fundamentos da legenda.

Trump foi alvo dos senadores Ted Cruz e Marco Rubio e do governador John Kasich, também pré-candidatos à presidência, durante o debate realizado na noite de quinta-feira. O evento, que se resumiu a quase duas horas de discussões rasas, com comentários infantis e trocas de ofensas pessoais, preocupou analistas. ;Meu partido está cometendo o suicídio em rede nacional;, escreveu no Twitter o conselheiro republicano Jamie Johnson, que participou da campanha do ex-candidato Rick Perry. Outros analistas também questionaram o futuro da legenda e o significado do sucesso de Trump. ;Estamos assistindo à história. Algo importante está acabando;, escreveu Peggy Noonan, responsável pelos discursos presidenciais de Ronald Reagan, em coluna no Wall Street Journal.

Na manhã de ontem, durante a conferência anual do lobby conservador CPAC, o senador Rubio disse que ;se alguém bate na cara de outro, eventualmente é preciso devolver o tapa;. O comentário se referia ao fato de Trump ter desistido de última hora de participar da conferência, o que foi visto como ;decepcionante; pelos organizadores.

Os esforços da cúpula republicana, dos demais pré-candidatos e dos veículos de comunicação que atacaram Trump ferozmente, nos últimos dias, foram testados ontem, nas prévias de Louisiana, Kansas, Kentucky e Maine. Mas as atenções principais estão voltadas para 15 de março, quando cinco estados decisivos vão às urnas, entre eles Flórida e Ohio.



Inconfidências
O grupo de hackers ativistas Anonymous disse ter invadido as mensagens de voz do telefone de Donald Trump e divulgou ao menos três recados deixados por âncoras da rede de televisão MSNBC. No áudio, os jornalistas mostram apoio, parabenizam e agradecem a Trump. Pelo Twitter, Joe Scarborough disse que a mensagem deixada por ele e pela companheira de bancada, Mika Brzezinski, teria sido sobre uma contribuição de Trump a um evento de caridade.

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