Riscos e vantagens de ser cooperado

Riscos e vantagens de ser cooperado

Sistema cooperativo é opção para empresários e consumidores que precisam acessar o mercado bancário. Organizações já estão consolidadas em diversos países da Europa

MARLLA SABINO Especial para o CORREIO
postado em 06/08/2017 00:00
 (foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press


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(foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press )



Com o crescimento dos negócios, as analistas de sistemas Simone Gomes, 33 anos, e Priscilla Serra de Oliveira, 32, decidiram que era hora de abrir uma conta-corrente para a empresa. Em um banco tradicional, teriam de pagar R$ 10 pela emissão de qualquer boleto. Em uma instituição financeira ligada a uma cooperativa, a despesa seria de R$ 1,90 por documento pago. A diferença de preços foi determinante na escolha. ;Também não precisamos pagar taxas para manter os serviços;, contam.

Com um conjunto cada vez maior de produtos e serviços, com preços acessíveis, as cooperativas já representam 2,18% do sistema financeiro no Brasil e chegam em 564 municípios esquecidos pelas grandes instituições bancárias.

De berço europeu, o sistema cresce pelo mundo. Cinco dos maiores bancos existentes são cooperativas asiáticas. Na França, o segmento responde a 70% do mercado financeiro e detém US$ 4,3 trilhões de ativos. As 1.033 instituições espalhadas pelo Brasil são regulamentadas pelo Banco Central (BC) e oferecem todo tipo de serviço, como conta-corrente, aplicações financeiras, cartão de crédito, empréstimos e financiamentos.

O instrutor Ednaldo Oliveira Dourado, 34, não vê muitas diferenças entre os bancos cooperativos e os comerciais. ;Conheci o sistema por meio da empresa na qual trabalho e já uso há cinco meses. Faço tudo pelo celular, transferências, pagamentos de contas;, diz.

De acordo com o presidente do Sicoob Central DF, José Alves de Sena, em uma cooperativa, além de usuários, os associados são donos do negócio. ;Somos uma instituição de pessoas e todos têm direitos e deveres iguais. As decisões são discutidas em assembleias e todos detêm o mesmo poder de voto;, explica.

Por não visar lucros, as cooperativas conseguem oferecer crédito e taxas mais baixas, além de melhores remunerações em aplicações do que em outras instituições. O resultado das transações anuais, se positiva, é a ;sobra;, que é repartida entre os cooperados. ;Os membros também estão sujeitos a participar do rateio de eventuais perdas, em ambos os casos, na proporção dos serviços usufruídos;, alerta o chefe do Departamento de Supervisão de Cooperativas e de Instituições Não Bancárias do BC, Harold Espinola.

Para se tornar parte do sistema cooperativista há dois caminhos: as agências de livre admissão, que não fazem restrição quanto ao perfil do associado e as segmentadas, formadas por pessoas de uma determinada profissão ou atividade. O modelo pode ser uma excelente alternativa para fugir das condições oferecidas por bancos. ;Visamos agregar renda e estimular desenvolvimento;,aponta, Edson Schneider, do Sicredi.

O sistema deve representar 10% do sistema financeiro na póxima década, projeta, Paulo Barcellos, da Unicred.

;Visamos agregar renda e estimular desenvolvimento;
Edson Schneider, do Sicredi

;Somos uma instituição de pessoas e todos têm direitos e deveres iguais;
José Alves de Sena, presidente do Sicoob Central DF

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