Dívida vai a 90% do PIB se metas falharem

Dívida vai a 90% do PIB se metas falharem

Rosana Hessel
postado em 18/08/2017 00:00
Ao propor ampliação dos rombos fiscais de 2017 e de 2018 para R$ 159 bilhões e adiar a volta do equilíbrio nas contas públicas apenas para 2021, o governo está criando uma bomba para o próximo governo. O alerta é da economista Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics, de Washington. Ela estima que, no fim do próximo ano, a dívida pública bruta poderá chegar a 90% do Produto Interno Bruto (PIB) se as novas metas não forem cumpridas.

A mudança dos objetivos fiscais deste ano e do próximo tem como objetivo evitar que o presidente Michel Temer descumpra a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), como fez Dilma Rousseff com as pedaladas fiscais. Só que, para entregar as metas, o governo aposta em receitas extraordinárias que não devem ser realizadas. ;Tudo é muito frágil e está calcado em esperanças e medidas que precisam de aprovação do Congresso. Eles estão subestimando o tamanho do rombo, que deverá ser maior;, afirmou Monica.

O país está no cheque especial desde 2014 e, pelo cenário traçado pelo governo, em 2020, completará sete anos consecutivos no vermelho, algo que nenhuma pessoa ou empresa conseguiria sustentar, continuando a ter crédito barato na praça. Como o governo gasta muito mais do que arrecada, a dívida pública pode explodir porque o governo não deve conseguir economizar para pagar os juros dos títulos.

O mercado, por sua vez, vai cobrar caro por isso, ou seja, mais prêmios e mais juros pelos títulos que o governo emitir para cobrir o rombo fiscal. ;Ninguém sobrevive no cheque especial por sete anos. Estamos vendo um retrocesso do ajuste fiscal feito no início dos governos petistas por conta da vigência da LRF. Dilma deixou um quadro muito ruim, mas Temer ajudou a agravá-lo;, avaliou a economista e especialista em contas públicas Selene Peres Nunes, uma das autoras da LRF. Ela citou como exemplo os reajustes generosos concedidos aos servidores e a anistia de R$ 10 bilhões do Funrural.

A economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, disse que, se a reforma da Previdência não for aprovada, haverá maior descontrole fiscal. ;A esperança é que quem vencer as eleições de 2018 tenha o compromisso de ajustar as contas, caso contrário, estaremos de volta aos anos 1980;, alertou.

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