Muito além de brincar e correr

Muito além de brincar e correr

postado em 12/11/2017 00:00
 (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

Na família da psicóloga Camilla Nunes, 37, as brincadeiras guiam o aprendizado dos baixinhos João Pedro, 10, e Bettina, 8. Como forma de estimular o desenvolvimento, aos 6 meses de idade, os dois começaram a fazer aula de música e psicomotricidade. Hoje, é a diversão que dita as regras e a evolução emocional e intelectual dos irmãos.

;Vejo muito a vivência em sociedade refletida em cada atividade. Eles assimilam o respeito e as regras necessárias para viver em grupo. Vai muito além de brincar e correr, por exemplo. Trata-se de uma formação de valores para cidadãos de bem;, explica a mãe.

É a amarelinha, o jogo de tabuleiro, o pular corda e o pique-pega que auxiliam as crianças na descoberta de si e do mundo. A brincadeira não é o objeto em si, mas um conjunto de estratégias e habilidades que possibilitam às crianças experiências que revelam o mundo e as desenvolvem para o futuro. ;Teve um dia que a Bettina me deu uma aula de xadrez. Achei o máximo, porque ela explicou do jeitinho que aprendeu. Conseguimos passar um tempo fazendo algo prazeroso e cheio de ensinamentos;, conta a mãe, orgulhosa.

Durante a semana, sempre sobra um tempinho para brincar, mas a diversão é garantida mesmo nos finais de semana. ;Reunimos os dois, os primos e os colegas e partimos para o rancho. Lá, todos brincam de tudo um pouco, montam a cavalo, andam de bicicleta, escalam árvores e se jogam nas brincadeiras;, conta Camilla.

Na escola

Ao longo do tempo e com os avanços tecnológicos, brinquedos e brincadeiras foram mudando, mas o prazer da criança em brincar é o mesmo. Assim, é fundamental que a escola incentive isso, porque é uma continuidade de casa. Os filhos de Camilla chegam do colégio felizes, contando as atividades que tiveram. ;Acho isso incrível. O papel dos professores é orientar esse processo, com projetos que ajudem no desenvolvimento e nas habilidades específicas de cada faixa etária.;

João Pedro e Bettina estudam no Le Petit Galois, escola que promove, semanalmente, momentos de V.A. (Vivendo e Aprendendo) e B.C. (Brincadeiras de Criança). ;Quando os assisto participando, vejo que brincam de brincadeiras da minha infância, que usam o corpo e aproximam os colegas. É legal saber que isso acontece e que eles podem ser crianças de verdade, livres e felizes.; A escola desenvolve atividades com jogos clássicos como queimada, amarelinha, pula-corda, carrinho de rolimã e pique-pega, sempre mediadas pelos professores.

O ideal, segundo Camilla, é que os educadores trabalhem com as crianças de igual para igual, mas, ao mesmo tempo, intermediando e exercendo um papel de guia e mentor. Na escola, eles sobem em árvore, pulam amarelinha, correm de um lado para o outro e até fazem os próprios brinquedos utilizando apenas sucata.

Camilla faz questão de frequentemente perguntar aos filhos se estão gostando da escola e como anda a rotina. Em uma dessas conversas, o filho, João Pedro, afirmou com convicção: ;Lá a gente estuda muito, mamãe. Temos que ser bem inteligentes. Mas também brincamos bastante e eu adoro;. Para a mãe, ficou a certeza de que está investindo no melhor para eles. ;O tempo da criança precisa ser respeitado. Não adianta só cobrar nota e estudos, então é bom saber que está tudo balanceado.; ç


;Desce pro Eixão;

Queimada, pula elástico, pula corda, amarelinha, pique bandeirinha e até corrida de saco. No primeiro domingo de outubro, as brincadeiras tradicionais de rua marcaram presença no ;Desce pro Eixão;. O evento gratuito reuniu famílias em mais de 20 atividades à moda antiga e foi organizado por alunos do Curso Técnico em Eventos do Instituto Federal de Brasília (IFB).

Gregory Di Medeiros, um dos responsáveis, explicou que o intuito do evento, além de colocar a turma em contato com a comunidade, é resgatar a cultura de brincadeira de rua. ;A programação era para os pais também. Todos puderam brincar e se divertir juntos, sem se preocupar com as obrigações que ficaram em casa;, explicou.

Os organizadores já estão planejando marcar o próximo encontro. São mais de 15 atividades divididas em duas áreas ; ;vapt-vupt;, para recreação com algum brinquedo específico, como corda ou elástico, e outro espaço para atividades em grupo, como queimada e pique pega. ;O melhor é que as crianças podem se divertir com os pais também. Chamamos todos para viajar no tempo, deixar os eletrônicos de lado e dar uma chance para se divertir à moda antiga;, conta Gregory.


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