Para o frio e o calor

Para o frio e o calor

postado em 04/12/2017 00:00
 (foto: Yi Cui/Divulgação)
(foto: Yi Cui/Divulgação)

Chegam as chuvas de fim de ano em Brasília e, com elas, o hábito de sair com um casaco pela manhã que, provavelmente, ficará guardado ao longo do dia. O contratempo não é exclusivo da capital. Basta entrar em ambientes refrigerados para enfrentá-lo. Pesquisadores da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, sugerem que o problema seja resolvido simplesmente virando a roupa pelo avesso. Para isso, criaram um tecido que, conforme o lado em que é usado, se ajusta às situações de frio e às de calor.


O tecido possui uma camada dupla, de cobre e carbono, revestida pelo polímero polietileno. Cada lado é capaz de emitir ou bloquear a radiação térmica, resfriando ou aquecendo o corpo de quem usará uma roupa feita com o material. ;Quando o lado de carbono está voltado para fora, a camada pode ajudar a emitir a radiação térmica e a resfriar o corpo humano. Se fica frio demais, podemos inverter o tecido, e a camada de cobre que passa a ficar para fora reduz a radiação e esquenta o corpo;, explica Yi Cui, líder do estudo, divulgado, mês passado, na revista Science Advances.


A camada interna do tecido é revestida com um tipo comum de plástico, o poliestireno, com diversos buracos nanométricos que permitem a passagem da radiação infravermelha emitida pelo corpo. A tecnologia funciona porque o carbono é um material com alta capacidade de absorver esse calor da pele e emiti-lo para a atmosfera, enquanto o cobre o prende junto ao corpo.


Segundo os criadores, entre o aquecimento e o resfriamento da pele, o tecido aumenta o leque de temperatura ambiente no qual um ser humano se sente confortável: em 6,5;C. Há, porém, o potencial de chegar a um aumento de 14,7; C em futuras versões do tecido.

Economia

Além do impacto individual, o uso de roupas feitas com a tecnologia pode ajudar a diminuir a energia gasta com aquecedores e sistemas de ar-condicionado de grandes ambientes, como shoppings e escritórios. ;Nos Estados Unidos, 12% da energia é gasta com o controle de temperatura de ambientes internos;, afirma Cui. ;O tecido pode ajudar a localizar esse controle ao redor do corpo humano, em vez de mudar constantemente o termostato.;


O material desenvolvido ainda não pode ser transformado em roupas. Os criadores precisam, por exemplo, fazer com que o tecido se torne resistente ao uso diário e às lavagens. Ainda assim, imaginam a tecnologia sendo usada em vestimentas do dia a dia e também por atletas de alta performance. ;Para esse tipo de roupa, existem fatores fisiológicos que necessitam tanto do resfriamento por irradiação quanto pela evaporação do suor. Estamos incorporando outras funções interessantes ao tecido e combinando ideias sobre o controle térmico a tecnologias vestíveis;, adianta Cui. (VC)

6,5;C
Temperatura do corpo mantida pelo material, considerada uma zona
de conforto térmico ara humanos

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