Obra para usar volume morto

Obra para usar volume morto

Caesb vai destinar quase R$ 500 mil para construção de sistema que permitirá a captação de água na barragem do Descoberto abaixo de cota que hoje é possível explorar. Companhia, porém, não sabe a capacidade da reserva

» Lucas Vidigal Especial para o Correio
postado em 09/01/2018 00:00
 (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)


A Companhia de Saneamento do Distrito Federal (Caesb) deu início, ontem, à concorrência que vai definir a empresa responsável pelas obras de captação do volume morto do reservatório do Descoberto. A estatal prevê investimento de R$ 494,5 mil nessas obras, que devem ficar prontas em maio. A empresa contratada terá de fazer captações de uma cota abaixo dos canos da Caesb hoje existentes. Trata-se de água com menos oxigênio e com partículas de sujeira que, geralmente, ficam depositadas no fundo do reservatório. Portanto, esse recurso, segundo nota da companhia, só será usado em ;caso de necessidade;. A estatal não detalhou em quais casos a medida poderia se aplicar.

Há dois meses, o nível do reservatório do Descoberto estava em torno de 5,3%. À época, especulava-se a possibilidade da ampliação do racionamento para até 48 horas caso o valor descesse para abaixo dos 5%. No entanto, por causa do volume de chuvas acima da média em dezembro e na primeira semana de janeiro, o volume útil no Descoberto aumentou quase sete vezes. Ontem, ele atingiu 35,4%.

O volume morto do Sistema Cantareira abasteceu a cidade de São Paulo por 535 dias, entre julho de 2014 e dezembro de 2015. Para usar o sistema, foram investidos R$ 120 milhões em uma obra de dois meses. Há menos água de volume morto no Descoberto em relação ao reservatório do Cantareira. Ao Correio, a Caesb informou que é impossível saber por quantos dias o recurso seria suficiente para abastecer o DF. Segundo a estatal, a capacidade dependeria da vazão captada pela companhia e do consumo da população na época em que o volume morto seria utilizado.

Santa Maria

Desde o início do ano, aumenta a cada dia a diferença entre os volumes dos maiores reservatórios que abastecem o DF. As duas barragens marcavam índice de 30,1% na virada do ano, mas, enquanto o Descoberto atingiu 35,4% na medição de ontem, o Santa Maria subiu apenas para 31,8% em sete dias.

Os valores estão acima da expectativa do GDF para o mês. Ainda assim, há o risco de que o ritmo desacelerado seja insuficiente para o Santa Maria chegar a maio, início da estação seca, com a capacidade em 47%, percentual esperado pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico (Adasa) para garantir o abastecimento durante a estiagem.

A preocupação existe porque, segundo a curva de acompanhamento formulada pela agência, o nível da represa Santa Maria teria de subir de 28% a 36% de janeiro a fevereiro, equivalente a um aumento semanal de cerca de dois pontos percentuais. No entanto, de 1; de janeiro até ontem, a barragem registrou alta de 1,2 ponto percentual. Nesse ritmo, o reservatório chegará ao próximo mês com cerca de 35,74% da capacidade, abaixo da meta da Adasa.

Além disso, a barragem localizada no Parque Nacional de Brasília precisa dar conta da maior parte da vazão do Sistema Torto/Santa Maria durante a estiagem. Até lá, o lago localizado no Parque Nacional de Brasília divide a responsabilidade com as captações feitas nos córregos do Torto, Bananal e do Lago Paranoá. Enquanto há chuvas no DF, a vazão nos riachos leva a Caesb a diminuir consideravelmente, a até cerca de 1%, a participação da barragem do Santa Maria no abastecimento.

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