Coronel pediu doação

Coronel pediu doação

» OTÁVIO AUGUSTO
postado em 05/06/2018 00:00
 (foto: Three Chimneys/Divulgação - 30/3/18)
(foto: Three Chimneys/Divulgação - 30/3/18)


O coronel João Baptista Lima, amigo do presidente Michel Temer, é mais uma vez apontado como arrecadador financeiro das campanhas eleitorais do emedebista a deputado federal. O empresário Gonçalo Torrealba disse em depoimento à Polícia Federal que recebeu do coronel Lima um pedido de doação à candidatura de Temer ; ele concorreu em 2002 e 2006 à Câmara dos Deputados, antes de ser vice na chapa de Dilma Rousseff, em 2010. A versão de Torrealba contradiz resposta do presidente dada em janeiro aos investigadores. O depoimento faz parte da apuração para saber se Temer editou um decreto que favoreceu empresas portuárias em troca de propina.

Torrealba é um dos sócios do Grupo Libra, que tem concessão para atuar no porto de Santos. Em maio de 2017, um decreto assinado por Temer aumentou o prazo das concessões das áreas portuárias de 25 anos para 35 anos, com chance de prorrogação por até 70 anos. Para a Procuradoria Geral da República, o decreto teria sido editado em troca de pagamento de propina ao presidente e seus principais aliados.

Morando nos Estados Unidos, que chegou a ter a prisão decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), disse à Polícia Federal, em 3 de abril, como revelou o portal de notícias G1, que ;há mais de 10 anos; o coronel Lima pediu doação de campanha à candidatura de Temer. Em janeiro, ao responder a 50 perguntas elaboradas pela Polícia Federal no âmbito do inquérito da Operação Skala, o presidente afirmou, por escrito, aos investigadores o contrário. ;O Sr. João Batista me auxiliou em campanhas eleitorais, mas nunca atuou como arrecadador de recursos;, escreveu.

Temer e o coronel Lima são investigados pelo STF em inquérito que apura se o presidente recebeu propina para editar o decreto dos portos. ;Nunca realizei negócios comerciais ou de qualquer outra natureza que envolvesse a transferência de recursos financeiros para o Sr. João Batista Lima Filho;, completou o presidente.

Torrealba afirmou que não fez as doações pedidas pelo coronel Lima porque a empresa e os sócios doavam para candidaturas majoritárias e partidos, e a eleição para deputado é proporcional. O empresário afirmou ;que se encontrou mais algumas vezes; com o coronel Lima na sede do Grupo Libra ;até informar definitivamente que não poderia doar para Temer;. Segundo a Polícia Federal, em 2006 a família Torrealba doou ao diretório nacional do MDB R$ 75 mil. Na campanha de 2010, R$ 500 mil foram destinados ao partido. No último pleito, em 2014, quando Temer presidia o partido, o repasse foi de R$ 2 milhões.

O Planalto afirmou, por meio nota, que não há diferença entre as afirmações de Temer e Torrealba. ;O próprio empresário Gonçalo Torrealba afirma em seu depoimento que jamais tratou de irregularidades com o presidente Michel Temer ou tenha realizado doações à campanha dele, confirmando assim a afirmação do presidente de que o coronel João Baptista Lima não atuou como arrecadador financeiro de campanhas do presidente;.

A defesa do coronel Lima não foi localizada. Ao longo da investigação, seu advogado, Cristiano Benzota, disse que ele não tem nenhuma participação nos fatos citados no inquérito.

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