Os palanques das traições

Os palanques das traições

postado em 04/08/2018 00:00
 (foto: Helio Montferre/Esp. CB/D.A Press - 20/5/16
)
(foto: Helio Montferre/Esp. CB/D.A Press - 20/5/16 )


A definição do quadro de candidatos na disputa eleitoral deste ano começou a revelar a formação de palanques informais e casos de traição aos presidenciáveis nos estados, com potencial de prejudicar concorrentes de dois dos maiores partidos do país ; Geraldo Alckmin (PSDB) e Henrique Meirelles (MDB). Na tentativa de atrair espaço nas bases dos dois partidos estão o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), condenado e preso na Operação Lava-Jato, e o deputado Jair Bolsonaro (PSL), líderes nas pesquisas de intenção de voto.

Um caso emblemático é o do governador tucano de Mato Grosso, Pedro Taques. Em campanha pela reeleição, ele avisou que irá ao aeroporto de Cuiabá recepcionar tanto Alckmin quanto Bolsonaro. Taques costurou aliança com a juíza aposentada Selma Arruda (PSL), a ;Bolsonaro de saia;, como é chamada em Mato Grosso, que será candidata ao Senado. ;Haverá palanque para os dois;, disse Taques.

Entre os ;traidores; declarados de Meirelles está o governador de Alagoas, Renan Filho, que fez campanha interna no MDB contra Meirelles e já avisou que não está disposto a recebê-lo no estado. Ele declara voto em Lula ou em outro candidato ao Planalto que venha substituir o ex-presidente. Renan Filho é favorito à reeleição, tendo suporte do PT.

O potencial para traições existe porque não há no Brasil a regra da verticalização das coligações. Por isso, os partidos não são obrigados a reproduzir a aliança nacional nas demais unidades da federação. As siglas podem selar acordo no plano presidencial e, ao mesmo tempo, rivalizar na disputa de cargos majoritários de um determinado estado. No Pará, Meirelles tem o apoio declarado do candidato do MDB ao governo estadual, Helder Barbalho, mas o palanque incluirá pelo menos 17 partidos.

No MDB, o Palácio do Planalto cobrou que os candidatos empunhem a bandeira de Meirelles. No entanto, como a direção nacional não reservou recursos públicos para os governadores aplicarem nas respectivas campanhas ; o mesmo ocorreu com o presidenciável ;, agora a cúpula perdeu força para exigir empenho de quem flerta com a oposição.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação