Reinado roubado

Reinado roubado

Uma disputa pelo trono em meio à savana da África promete revitalizar o poder de O Rei Leão, sucesso que perdura em todo o mundo

Ricardo Daehn Hannah Sombra*
postado em 17/07/2019 00:00
 (foto: Disney/Divulgação)
(foto: Disney/Divulgação)


Impactar com o elemento da surpresa uma história de sucesso sacramentada nos cinemas, há mais de 25 anos, é o desafio do diretor Jon Favreau, ao trazer O Rei Leão para a tela grande. O protagonismo de animais, desta vez em live action, foi mais do que convincente, aos olhos da atriz Alfree Woodard, que deu voz à rainha matriarca, a leoa Sarabi. ;A admiração não será apenas dos pequenos: nós, que somos mais velhos, não sabíamos que era possível gerar esse tipo de realidade no cinema. É como tomar sorvete pela primeira vez;, comparou a atriz de 67 anos, na divulgação do filme que chegará amanhã aos cinemas.

Ator celebrado por ter dado voz a um dos pais mais perversos da história do cinema, Darth Vader, o ator James Earl Jones ; que em O Rei Leão turbina de emoção as falas do icônico rei Mufasa, é quem simplifica: ;O Rei Leão é uma história universal sobre pai e filho;. Professor na cidade de São Sebastião, aos 29 anos, Leonardo Leal Júnior endossa a visão, com apego à primeira versão de 1994, quando assistiu pela primeira vez. ;Na vida, devo ter visto o filme, desde os 4 anos, umas 150 vezes. Na animação, os leões eram bem-feitos e também tinha Timão e Pumba (amigos de Simba, o leão que puxa o título do longa, escorado na trama de sucessão de reinado na selva). Como não gostar dessa dupla?;, comenta.

A expectativa do professor com o novo longa está alta. ;Acredito que será o melhor live-action da Disney: há avanços da tecnologia, com emoções diferentes. Mas o original tem seu charme. Acho que vou rir muito, como no original, e não quero chorar muito na morte do Mufasa. O Rei Leão mostra que todos temos um papel fundamental no ciclo da vida. Como biólogo, utilizo muito isso nas aulas de ecologia. Usei o filme em várias provas que apliquei;, conta Leonardo Leal Júnior.

Lições que brotam do passado, a relatividade da valentia, a validade de sonhos e um bordão (;hakuna matata;), atrelado a impacto motivacional, duelam com a ambição que movimenta grande parte da trama, a partir do vilão Scar, o leão ressentido (tio de Simba) que se vale da inteligência para arquitetar golpes no destino de Simba e de Mufasa. Uma das promessas de mudança na nova versão concerne às afiadas hienas, plenas, quando se aliam ao antagonista. A perversa hiena Shenzi atua como liderança, enquanto, com divergentes capacidades de raciocínio, as outras, Azizi e Kamari, representam o perigo.

As hienas canalizam muito da mensagem do filme, imerso na representação da faceta ruim de alguns seres vivos. Matriz para um musical da Broadway (que passou a faixa das 9 mil apresentações), O Rei Leão, vale reforçar, teve roteiro desenvolvido por duas mulheres (Irene Mecchi e Linda Woolverton), ao lado de Jonathan Roberts. Isso, há 25 anos.

Mesmo diretor de Mogli: O menino lobo (2016), Jon Favreau é quem arremata propósito e metas no filme. ;Há uma tradição muito rica em torno do material da marca O Rei Leão. Nós estamos lidando com arquétipos e lutas que remontam a Hamlet, de Shakespeare. Traição, amadurecimento, morte e renascimento ; os ciclos da vida ; são a base de todos os mitos no mundo inteiro. Contamos ainda com fortes elementos emotivos do calibre da música africana;, disse em entrevista à imprensa internacional.

* Estagiária sob a supervisão de José Carlos Vieira



O que esperar


;O Rei Leão está entre minhas três animações favoritas. É um filme que transmite a lealdade dos animais, e revela como eles se relacionam entre si. Na mistura do fictício com a realidade, diversas mensagens são transmitidas. Assisti ao musical pela internet e tinha DVDs dos filmes, além do interesse de comprar todos os livros que ampliem a história da animação. Tenho nas músicas e no filme o marco de um dos meus relacionamentos, em que cantávamos juntas e repetíamos as falas do desenho; diria que foi um filme que balizou muito do meu lado emocional.;
Rafaela Mota Fernandes, 19 anos, estudante


;Foi um dos primeiros filmes que realmente me impactaram. No último ano, acho que vi entre 15 e 20 vezes. Na adolescência, apresentei o filme a um amigo meu, que se recusava a ver, por achar que fosse de criança ; ele chorou quando o Mufasa morreu; coisa que eu parei de fazer depois da quinta vez que assisti. Espero que o novo filme siga fielmente a animação. Tem mensagens importantes como a de que, às vezes, pessoas em quem confiamos nos traem. Mostra ainda que nossa vida dá reviravoltas inusitadas. E que, mesmo nos momentos mais tristes, sempre há quem queira nos alegrar.;
Matheus Felipe Brum, 19 anos, empresário

A animação
Em 1994, não teve igual: O Rei Leão foi o filme mais assistido no mundo inteiro. O êxito se estende em muitas das colocações ocupadas pela animação. Até hoje, é o 42; filme mais visto ao redor do mundo, ocupando a quarta posição entre animações mais assistidas nos Estados Unidos e ainda fica entre os 20 longas mais populares, em meio aos norte-americanos.


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