Muitas caneladas e o jogo nem começou

No governo federal, bate-cabeça entre ministros, especialmente na condução da articulação política. E tem mais, muito mais, como a rebelião da base aliada

Baptista Chagas de Almeida
postado em 20/02/2014 00:00

O ano político mal começou e já está uma confusão danada. No Congresso, sessão esvaziada pelos próprios parlamentares para não derrubar veto da presidente Dilma Rousseff a projeto de lei que facilita a criação de novos municípios. Na Câmara dos Deputados, renúncia de Eduardo Azeredo (PSDB), réu no Supremo Tribunal Federal (STF). No governo federal, bate-cabeça entre ministros, especialmente na condução da articulação política. E tem mais, muito mais, como a rebelião da base aliada ao Palácio do Planalto no Poder Legislativo.

Bem, o calendário político ainda vai enfrentar muita concorrência daqui para frente. O carnaval está chegando e os tamborins vão esconder os discursos das tribunas. Assim que eles se calarem ; na Bahia, por exemplo, isso custa a acontecer ; vem a quaresma à espera da Semana Santa. Outro feriadão para esvaziar a política.

E, logo, logo, começarão a chegar as seleções de futebol que disputarão a Copa do Mundo no Brasil. E elas podem ser recepcionadas pelas manifestações de rua e por grupos organizados até hoje mal identificados pelas forças de segurança, como os Black Blocs.

No meio do caminho, há as convenções que vão definir os candidatos a presidente da República, a governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Todas elas enfrentando forte concorrência, porque a mídia já estará voltada para os principais craques de futebol do mundo.

Por isso tudo, chama a atenção um dado da pesquisa CNT/MDA desta semana. Quase dois terços dos entrevistados não souberam dizer em quem votariam, na pesquisa espontânea, ou declararam voto nulo ou branco.

Se a Copa do Mundo nem começou, o jogo político e, principalmente, a campanha eleitoral vão demorar ainda mais para entrar em campo para valer.

O próximo saque
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o técnico da Seleção Masculina de Vôlei, Bernardinho, almoçaram ontem em Brasília. No cardápio, uma análise da conjuntura política nacional e, principalmente, o quadro eleitoral no Rio de Janeiro. Bernardinho, que se filiou ao PSDB, pode ser o palanque de Aécio no estado, mas não houve ainda uma decisão. O senador e o esportista ficaram de voltar a conversar dentro de suas semanas. Dessa vez, para tratar de uma situação mais definitiva sobre o que pode acontecer para a formação da chapa ou não.

Candidato a presidente
Foi no meio da tarde de terça-feira e pouca gente percebeu. Mas o senador Magno Malta (PR-ES) quer ser candidato a presidente da República. ;Nunca escondi de ninguém o meu sonho, o meu desejo de disputar a Presidência da República;, discursou o parlamentar capixaba, da tribuna. Ele fez questão de lembrar ; o que parece até uma plataforma eleitoral ; que foi presidente das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) de Combate ao Narcotráfico e da Pedofilia. Não custa lembrar: Malta tem mandato de senador até 2019. Nada tem a perder se disputar a eleição. Vai que ganha...

Gentilezas...
Presidente estadual do PSB, o deputado Júlio Delgado vai participar hoje do pré-lançamento da candidatura do ex-ministro Pimenta da Veiga (PSDB) ao governo do estado em Belo Horizonte. É que os socialistas integram a equipe do governador Antonio Anastasia (PSDB) e podem compor a coligação tucana nas eleições estaduais em Minas Gerais. Seria uma troca de gentilezas entre o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), também pré-candidato à Presidência da República, já que naquele estado o PSDB já integra a chapa socialista.

Pouso forçado
Só faltava essa. Reformada recentemente, a principal pista do aeroporto de Belém não consegue receber voos quando está chovendo. Revoltados, os senadores Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) resolveram pegar pesado. Apresentaram requerimento convidando o presidente da Infraero, Antonio Gustavo Matos do Vale, para prestar esclarecimentos. E, de quebra, chamaram também representantes sindicais e de associações de pilotos, aeronautas e da Associação Brasileira de Empresas Aéreas. O presidente da Infraero vai querer arremeter.

Clima tenso
Com obstrução de todos os partidos da Câmara dos Deputados, a sessão do Congresso que apreciaria o veto ao projeto que facilitava a criação de novos municípios foi derrubada. O governo tenta negociar um projeto alternativo, mas com os senadores. No outro lado do Congresso, o clima não é nada bom. ;O PT e o governo estão querendo uma amante. Usa e na hora que precisa abandona;, diz um líder partidário, revelando que está em gestação um blocão informal para as próximas votações. Blocão informal de legendas governistas, vale ressaltar.

PINGAFOGO

Ao defender o governo dizendo que não há problemas com a economia, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) citou investimentos de R$ 321 bilhões do BNDES nos últimos quatro anos.

Pergunta que não quer calar: será que a senadora comunista do Amazonas incluiu na conta o investimento bilionário do BNDES no porto em Cuba?

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, havia dito que só estudaria o processo contra o ex-deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG) depois de receber as alegações finais. Pergunta que não quer calar: será que elas vão chegar algum dia?

A Cemig registra 0,5% de economia com o horário de verão em Minas Gerais. Pergunta que não quer calar: vale a pena tanto transtorno e desconforto físico por tão pouco?

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), diz que a volta dos supersalários na Câmara dos Deputados ;é um absurdo;. Pelo sim, pelo não, Renan aproveitou e fez o seu comercial. É que a batata quente pode cair também em seu colo.

A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, diz que já foram pagas emendas de R$ 8,6 bilhões. Já? Então deve ser mesmo feia a crise no Congresso.

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