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Pesquisa detecta Dilma à frente, mas com a maioria ainda alheia à eleição e com desejo de mudança

Antonio Machado
postado em 19/02/2014 00:00
Versões do voto

A reabertura da temporada de pesquisas eleitorais indica o que os mercados constatam, conforme os dados do instituto MDA, contratado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT): a presidente Dilma Rousseff e o governo continuam bem avaliados, embora a taxas pouco menores que na última sondagem dessa série, em novembro, mas há um potencial de insatisfação e a maioria continua alheia à eleição.
Na fotografia do momento, que também expressa a ampla exposição da presidente na imprensa em contraponto à atuação tímida dos supostos adversários, o desempenho pessoal de Dilma teve 55% de aprovação (e 41% de desaprovação), contra 58,8% em novembro. Nesta série do MDA, a aprovação máxima chegou a 75,7%, em julho de 2012, praticamente repetida em junho de 2013, antes dos protestos nas grandes cidades.
A avaliação do governo, ao contrário do verificado nos oito anos de mandato de Lula, tem sido muito menor que a nota presidencial. A avaliação positiva do governo Dilma, somando ;ótimo; e ;bom;, está em 36,4%, abaixo dos 39% na pesquisa de novembro. O resultado ruim e péssimo totalizou 24,8%, vindo de 22,7% em novembro.
Dilma continua mais bem avaliada que o conjunto representado pelo seu ministério. Na métrica da pesquisa MDA/CNT, iniciada em abril de 2007, a maior taxa negativa do governo Lula atingiu 16,5%, e foi caindo desde então. No fim do mandato, estava em 2,2%. Nem por isso Lula conseguiu evitar o segundo turno na sua reeleição em 2006.
Tal fato relativiza o resultado da intenção de voto, na qual Dilma venceria em primeiro turno disputando contra Aécio Neves, do PSDB, e Eduardo Campos, do PSB (ou com Marina Silva em seu lugar). Mas na métrica da pesquisa espontânea, sem a indução de nomes, ela aparece disparada na frente, com 21,3% das preferências, vindo depois Lula e Aécio, ambos empatados com 5,6%, Marina, 3,5%, e Eduardo, 1,6%.
Então, a eleição está resolvida? Longe disso. O MDA assuntou 2.002 eleitores em 137 municípios em 24 estados entre os dias 9 e 14, com margem de erro de 2,2%. Na pesquisa espontânea, 45% não souberam ou não responderam em quem pretendem votar. E 15% optaram pelo voto nulo ou branco. Em suma: 60% dos eleitores, segundo tal amostragem, continuam indefinidos, ou desinteressados do embate eleitoral. Vê-se quando 62,1% dos ouvidos manifestaram nenhum ou pouco interesse na eleição para presidente. Com muito ou médio interesse, só 37,4%.
Cenário está indefinido
O eleitor se diz, por ora, desinteressado nas eleições (62,1% dos entrevistados), 60% disseram não saber em quem votar (ou votam nulo ou branco). Isso não revela uma tendência firme de preferências. A maioria está ainda sem candidato, embora da parcela minoritária que se diz com cabeça feita a maior parte fecha com Dilma, e manifesta vontade de mudança. É o que sai da lista de desejos da pesquisa.
Do próximo presidente, 37,2% disseram esperar que ;mude totalmente a forma de governar;, enquanto 25% disseram querer que ;continuem algumas ações e mude a maioria;. Ou seja: 62,2% querem mudanças. A menor parte, 35,2%, quer que ;continue totalmente a forma atual de governar; (12,1%) e ;continue a maioria das ações e mude algumas; (23,1%). A sondagem MDA/CNT peca por não discriminar as respostas por nível de renda, grau de instrução e distribuição geográfica.
Confusão de percepções
Nos itens conjunturais, a expectativa para os próximos seis meses é favorável quanto ao emprego (36,7% acham que vai melhorar; 40,7%, que vai ficar igual; e para 20,7% vai piorar) e a renda (aumentará para 32,2% dos ouvidos; ficará igual, 53,5%; e diminuirá, 12,2%).
A percepção sobre a renda, contudo, se contradita com a avaliação do custo de vida. Para 77,2% dos entrevistados, a carestia cresceu nos últimos 12 meses. E quase tanto, 71,8%, disseram que vai subir este ano. Está aí a clássica dicotomia entre renda nominal e real, além da percepção difusa sobre o efeito inflacionário. Talvez se possa cogitar, apesar do risco da simplificação, que a inflação não terá o apelo eleitoral contra o governo imaginado pela oposição.
Saúde continua acamada
Nas questões em que o governo surge visível para o eleitor, porém, a avaliação é ruim, embora nunca tenha sido boa. Tome-se a saúde: 84,4% disseram que precisa de melhorias. A educação foi citada por 47,6%, num questionário com oito tópicos elencados para que dois fossem selecionados. Segurança veio em seguida, com 35,1% citações.
Tais respostas, pela metodologia empregada, suscitam dúvidas. No caso da educação, 59,4% disseram não ter filhos em escolas. Na avaliação da segurança onde moram, os que disserem ser péssima ou ruim (32,2%) quase empatam com os que a acham ótima e boa (29,9%), enquanto para 76,8% da mesma amostra a violência aumentou muito ou um pouco. Tais opiniões brigam entre si, talvez pela totalização da situação entre cidades com portes diferentes. Veremos noutra vez.

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