UCRÂNIA

Militares ocupam locais estratégicos da região autônoma. Vladimir Putin não dá sinais de recuar, apesar dos apelos do Ocidente. Governo de Kiev põe tropas e reservistas em alerta

postado em 03/03/2014 00:00
 (foto: Vasily Fedosenko/REUTERS)
(foto: Vasily Fedosenko/REUTERS)

Kiev ; Com mais de 6 mil homens, a Rússia assumiu o controle da Península da Crimeia, região autônoma da Ucrânia. Com o apoio dos líderes regionais pró-russos, militares ocupam aeroportos, bases militares e postos de fronteira estratégicos. A reação do governo central da Ucrânia foi veemente, considerando a ação militar como invasão e uma declaração de guerra. Na véspera, a mobilização das tropas causou um enorme movimento diplomático e reações irritadas de líderes ocidentais. No sábado, o presidente russo, Vladimir Putin pediu e recebeu autorização do Senado de seu país para usar as Forças Armadas russas na Ucrânia, uma solicitação que justificou com a necessidade de defender os interesses e a segurança dos cidadãos de etnia russa que vivem em território ucraniano.

O primeiro-ministro ucraniano, Arseniy Yatsenyuk, acusou a Rússia de declarar guerra ao país e classificou que a atual situação da Ucrânia está ;à beira de um desastre;. Em coletiva de imprensa no Parlamento ucraniano, o premiê convocou ajuda da comunidade internacional para pressionar Putin a retirar as suas tropas da Península da Crimeia. O presidente interino da Ucrânia, Alexander Turchinov, anunciou que o país fechou seu espaço aéreo aos aviões não comerciais. ;Caso ocorra um ataque das forças russas, ele será considerado uma agressão", afirmou. ;O comando russo das tropas na Crimeia lançou um ultimato às forças ucranianas para que antes das 5 horas (meia-noite no Brasil) de hoje entregassem suas armas e abandonassem suas unidades;, afirmou Turchinov. As unidades militares teriam sido bloqueadas pelos russos. Os soldados ucranianos não ofereceram resistência e não houve ataque, disse o presidente interino.

No sábado, o governo interino ucraniano ordenou que suas Forças Armadas estivessem de ;prontidão para o combate; e emitiu ordem para desviar recursos financeiros e técnicos para um eventual conflito. Ontem, Andriy Paruby, secretário do Conselho de Segurança, que reúne os principais chefes de Segurança e de Defesa do país, afirmou que todos os militares reservistas foram convocados. Ucranianos de até 40 anos de idade são considerados aptos para o serviço militar. Diplomatas ocidentais duvidam que o Exército ucraniano seria capaz de conter as tropas russas.

Na região, a maioria dos moradores é de origem russa, mas possui cidadania ucraniana. ;Se o presidente Putin quer ser o presidente que iniciará uma guerra entre dois países amigos e vizinhos, ele está (quase) alcançado esta meta;, disse Yatsenyuk. "Estamos à beira de um desastre. Não havia nenhuma razão para a Federação Russa para invadir a Ucrânia".

monitoramento Em meio à agitação diplomática a chanceler alemã, Angela Merkel, conversou com Putin, que afirmou que as medidas foram adequadas para defender cidadãos russos e indivíduos que falam russo de ameaças ;persistentes;. Em conversa por telefone durante a qual Merkel expressou preocupação sobre os desdobramentos na Ucrânia, ela e Putin concordaram em continuar consultas bilaterais e multilaterais para buscarem a "normalização" da situação, afirmou o governo russo em comunicado. Segundo o governo alemão, Putin, aceitou proposta de Merkel para o estabelecimento de uma "missão de averiguação" sobre a situação, possivelmente sob a liderança da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

O presidente do Parlamento da Crimeia, Vladimir Konstantinov, anunciou que no referendo convocado para 30 de março perguntará à população se ela deseja que a região tenha ;estatuto estatal;. A data originalmente anunciada, 25 de maio, foi adiantada devido ao avanço das tropas russas sobre a região. Pouco depois da entrevista coletiva, um caminhão com escada retirou as bandeiras da Ucrânia da fachada do prédio, substituindo-as por bandeiras da Crimeia. Seis em cada 10 habitantes da Crimeia são russos étnicos. Konstantinov afirmou que o Legislativo da Crimeia não reconhece as novas autoridades de Kiev, empossadas após três meses de revolta popular.

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