Campanhas endinheiradas

Campanhas endinheiradas

Levantamento mostra que candidaturas a distrital e à Câmara dos Deputados têm sido ricas em doações. Entre os que se destacam estão Fraga, Liliane, Rogério Rosso e Rafael Barbosa. Filho do "deputado do dinheiro na meia" foi o que mais arrecadou até agora

» ALMIRO MARCOS
postado em 08/09/2014 00:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 12/4/14 )
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 12/4/14 )

A corrida à Câmara dos Deputados e a um mandato de deputado distrital está acirrada, inclusive em relação a financiamento. Os dados da segunda prestação de contas, divulgada no último sábado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostram que fortunas estão sendo arrecadadas e gastas na campanha. Levantamento feito pelo Correio mostra que o grande destaque em arrecadação na briga proporcional até agora é Rafael Prudente (PMDB), filho do ex-deputado Leonardo Prudente. Ele foi o que mais recebeu doações na briga por uma vaga de distrital (total de R$ 983,6 mil) e o que mais gastou entre os concorrentes no Legislativo local e no federal. Apesar de ter arrecadação maior (R$ 1,2 milhão), o ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM), que tenta voltar à Casa, gastou até agora bem menos: R$ 377,6 mil.

Coronel aposentado da Polícia Militar, Fraga recebeu a maior parte de suas doações de uma empresa de Engenharia, a UTC, que injetou pouco mais de R$ 1 milhão na campanha. Na tentativa de chegar à Câmara dos Deputados, destacam-se também como arrecadadores até agora o ex-secretário de Saúde do DF, Rafael Barbosa (PT) ; R$ 592,6 mil em receita e o mesmo valor em despesas ; e o ex-governador Rogério Rosso (PSD) ; R$ 526,7 mil recebidos e R$ 519,8 mil gastos. O principal doador de Rafael Barbosa foi o Auto Posto Ramalho, que deu R$198 mil, enquanto Rosso contou com ajuda vinda de casa: o sogro, Roberto Curi, doou R$ 300 mil como pessoa física e ainda colocou mais R$ 100 mil da empresa da família.


Dos deputados federais que tentam a reeleição, o primeiro a aparecer na lista de mais abonados é Izalci Lucas (PSDB), que recebeu R$ 332,4 mil de doadores ; ele gastou R$ 326,1 mil. Logo abaixo dele aparece outra deputada, Érika Kokay (PT), que declarou ter recebido R$ 271,4 mil (despesas de R$ 258,2 mil). O distrital Alírio Neto (PEN), que tenta se eleger federal, arrecadou R$ 268,5 mil e consumiu R$ 195,2 mil. Chama a atenção no grupo dos que mais gastaram a situação do ex-deputado Marco Antônio Campanella (PPL). Ele entregou declaração de receita de R$ 97,1 mil, mas reconheceu ter gasto R$ 249 mil, duas vezes mais.

Dinheiro da família
Com relação aos interessados na Câmara Legislativa, chama a atenção o caso de Rafael Prudente. A empresa 5 Estrelas Serviços de Apoio Administrativo Ltda, de sua família, irrigou a campanha com R$ 450 mil. Já a Porto Seguro Negócios, Emprendimentos e Participação entrou com R$ 200 mil. Duas pessoas físicas com o sobrenome Prudente doaram outros R$ 38 mil. O pai do candidato, Leonardo, investiu R$ 100 mil. Presidente da Câmara Legislativa em 2009, o ex-deputado ficou conhecido em todo o Brasil durante a repercussão da Operação Caixa de Pandora, quando foi filmado colocando dinheiro na meia e participando de oração de agradecimento ao dinheiro recebido, ao lado de Júnior Brunelli.


A segunda maior arrecadadora, em uma campanha de fazer inveja também a candidatos à Câmara dos Deputados, está a distrital Liliane Roriz (PRTB). Ela recebeu R$ 745 mil em doações. A doadora exclusiva da filha do ex-governador Joaquim Roriz (PRTB) é a UTC Engenharia ; a mesma que repassou R$ 1 milhão para Fraga. Outra filha de Roriz, Jaqueline (PMN), às voltas com problemas na Justiça (sua candidatura foi barrada pelo Tribunal Regional Eleitoral com base na Ficha Limpa), tem uma campanha muito mais modesta para a Câmara Federal, com arrecadação declarada de R$ 115 mil.

Os outros concorrentes à Câmara Legislativa mais endinheirados são: Cristiano Araújo (PTB), que arrecadou R$ 353,2 mil, sendo R$ 150 mil do próprio bolso, Washington Mesquita (PTB), com arrecadação de 368,1 mil; e Robério Negreiros (PMDB), que recebeu R$ 328,9 mil de doadores. Washington teve contribuições de R$ 200 mil da Bradesco Capitalização e o peemedebista recebeu R$ 125 mil do próprio pai, Robério Negreiros, além de R$ 100 mil de uma empresa do ramo imobiliário (Vahrcav).



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