Fraude à história

Fraude à história

JOSEMAR DANTAS É MEMBRO EFETIVO DO INSTITUTO DOS ADVOGADOS BRASILEIROS (IAB)
postado em 08/09/2014 00:00


A sabedoria popular afirma que uma mentira repetida muitas vezes recebe o selo moral da verdade. A campanha eleitoral em curso sustenta argumentos inverídicos uns, metidos em roupagens falsas outros. Não há limite ético nas propagandas destinadas a captar o voto dos eleitores. Os aboletados no poder há quse 12 anos se autodenominam esquerdistas de índole marxista, como o chavismo. Há, porém, vastos estamentos sociais que os qualificam de oportunistas. E com razão: já privatizaram entidades estatais mais do que qualquer outro governo. O problema é que o socialismo à moda marxista repousa no planejamento central da economia pelo Estado. Assim o diz o próprio Marx. Privatizações são, portanto, sacrilégio dogmático.

Os liberais, na teoria enérgicos defensores da liberdade de iniciativa e de concorrência (Constituição. art.170 inciso IV), quando no governo, convocam o poder público para empreitadas que poderiam ser cometidas a empresas privadas. Criam e põem em funcionamento os transportes urbanos e estabelecem os preços das passagens. Assumem o controle da produção de energia, do abastecimento de água, constroém metrôs e fixam as tarifas de cada serviço da espécie. Portos, rodoviais e ferrovias, na quase totalidade, são propriedades do Estado, construídas com recursos previstos nos orçamentos oficiais. Os fundos da administração governamental patrocinam a exploração dos potenciais hidráulícos e nucleares para a produção de energia.

Há, todavia, conchavos obscenos, na avalanche das contradições, para colher o voto do eleitor. Salvo exceções inexpressivas, partidos com candidatos diferentes à Presidência da República se juntam nos estados para abrir caminho ao poder local. A mixórdia serve para amealhar vantagens recíprocas e, mais tarde, plantar a matriz para colheita de cargos, com portas abertas à corrupção. São traficâncias que enxovalham o regime democrático e, assim, o rebaixam à condição de sistema político cleptrocrático.

À falta de um mínimo de ética, melhor, de respeito à verdade histórica, o PT conclama o povo a votar na sra. Dilma para que o Brasil não volte a sofrer a desgraça da inflação e dos desníveis sociais do passado.

É fato inscrito na história do país haver o Plano Real, lançado em 28 de fevereiro de 1994, fulminado a hiperinflação, que mergulhara o Brasil em uma de suas maiores tragédias. A nova moeda estreou cotada US$ 1,20, garantiu estabilidade ao sistema econômico e favoreceu milhões de brasileiros com a certeza de que seus salários e empregos estavam a salvo. Permitiu a implantação do sistema de bolsas sociais para acudir as populações reduzidas à extrema pobreza.

Com a liquidação do caos financeiro, houve maior oferta de investimentos e, em consequência, expansão do mercado de trabalho. Só quanfo foi surpreendido por catastrófica crise mundial, o Brasil se socorreu do Fundo Monetário Internacional, mas logo foi reconduzido como país portador de grau de investimento e credor do FMI. Se o PT considera, hoje, que governa bem o país deveria erguer um panteão ao Plano Real.

Para se ter ideia precisa do desafio ao Plano Real é suficiente dizer que, na época, os preços subiam quase 100% ao mês, mais de 2.000% ao ano. A ameaça que temos agora, portanto, não é a proclamada pelo PT, mas a volta ao descontrole inflacionário extinto pelo Plano Real e estagnação econômica.

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