Levy defende medida rápida e com respaldo

Levy defende medida rápida e com respaldo

» PAULO SILVA PINTO
postado em 17/03/2015 00:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 27/2/15)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 27/2/15)


O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou ontem durante reunião com empresários em São Paulo que é necessário aprovar com rapidez medidas que melhorem as contas públicas para aprimorar o ambiente econômico no Brasil, evitando perda do grau de investimento pelas agências de classificação de risco, a deflagração de uma crise cambial e a elevação da inflação. Propostas do governo com o objetivo de elevar a arrecadação tributária e reduzir gastos com benefícios previdenciários tramitam no Congresso Nacional.
Para conseguir celeridade, Levy considera necessário respaldo da sociedade. ;O apoio da população ao ajuste é muito importante. As razões dele estão claras;, disse. ;Se fizermos ajuste rápido, as pessoas poderão sentir chão firme para começar a trabalhar;, disse o ministro um dia depois de manifestações contra o governo da presidente Dilma Rousseff terem tomado as ruas de cidades do país, inclusive Brasília. ;A gente não faz um ajuste pelo ajuste. É para ajeitar a casa, limpar o convés, levantar as velas e seguir;.

Segundo Levy, o baixo crescimento da economia brasileira não é um impedimento para os cortes de gastos, mas sim a razão para esse tipo de política. ;O ajuste existe por causa do enfraquecimento do PIB (Produto Interno Bruto) e não o contrário;, explicou. Na próxima semana, será divulgado o PIB de 2014.
De acordo com a avaliação do ministro, a alta da cotação do dólar em relação ao real na semana passada foi um ;ajuste;, assim como a queda no preço das commodites agrícolas e minerais, em consequência do fim de políticas anticíclicas nos Estados Unidos e na China.
;A mudança de preços relativos tem a ver com a mudança de política de nossos principais parceiros comerciais e financeiros. Se a gente usou bem ou mal o período,
essa é outra questão. Agora a gente tem que se adaptar;, afirmou Levy. Ontem, a moeda norte-americana ficou estável, com leve queda, de 0,14%, fechando a R$ 3,245. No mês, porém, a alta acumulada já é de 13,76%. No ano, de 22,20%.
Diante do novo cenário cambial, o ministro afirmou que não há mais justificativas para manter as desonerações sobre a folha de pagamentos a determinados setores. ;Como imaginar que as empresas não paguem mais a Previdência?;, afirma

A retomada de investimentos virá, segundo o ministro, com reabertura das concessões na área de infraestrutura, possivelmente com novas regras. ;Vamos retomar as concessões, talvez em bases diferentes, para permitir maior participação do capital privado.;
Para o economista Ricardo Nogueira, superintendente de operações da Corretora Souza Barros, o dólar caiu ontem ;porque já havia subido muito na semana passada;. Ele chamou a atenção para outro fator: a queda no preço do petróleo ontem, o que significa que o país precisará de menos dólares para importar combustível.
A cotação da moeda norte-americana vai continuar com viés de alta, segundo José Roberto Carrera, operador de câmbio da Fair Corretora, ;enquanto o Congresso não aprovar medidas de ajuste fiscal;. O economista Demetrius Lucindo, DMLB Investimentos, acha que mesmo com um eventual correção de rumos nas contas públicas, o dólar vai continuar subindo. ;Isso reflete a fraqueza da nossa economia e o fortalecimento da economia dos Estados Unidos. O que pode acontecer é esse ritmo de alta se reduzir, caso a presidente dê apoio incondicional a Levy e o Congresso aprove as medidas;, ponderou.
Na Bolsa de Valores de São Paulo (BM) o dia foi de leve variação positiva, de 0,52%, fechando aos 48.848 pontos. Para Jason Vieira, economista do portal de informações financeiras Money You, dólar e bolsa seguiram ontem a tendência global. ;A situação interna continua indefinida, com o governo repetindo a retórica, oferecendo mais do mesmo.; Nogueira, da Souza Barros, afirmou que a estabilidade dos mercados demonstra uma avaliação positiva sobre as manifestações de domingo.


Energia puxa inflação

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) teve alta de 0,23 ponto percentual na segunda prévia de março, ao atingir variação de 1,49%. O aumento foi provocado, sobretudo, pela tarifa de eletricidade residencial, que passou de 7,2% no período para 13,29% na segunda semana março, conforme o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). Para o presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Sales, a pressão inflacionária da energia é decorrente dos empréstimos de R$ 18 bilhões feitos no ano passado às concessionárias, do aumento no preço da energia de Itaipu, da elevação dos encargos do setor e da implantação do sistema de bandeiras tarifárias. ;Esse impacto vai longe;, estimou.

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