Audiência discute hotéis em Pirenópolis

Audiência discute hotéis em Pirenópolis

» CAROLINE POMPEU Especial para o Correio
postado em 18/12/2015 00:00
 (foto: BSA Aquitetura/Divulgação)
(foto: BSA Aquitetura/Divulgação)



A construção de edifícios hoteleiros na cidade goiana de Pirenópolis tem causado, cada vez mais, mobilização dos moradores. Resultado disso foi a realização de uma audiência pública, ontem, na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado Federal para discutir o assunto. Representantes da população e frequentadores que viajam sempre para o município goiano participaram do encontro. O prefeito da cidade, Nivaldo Antônio de Melo, foi convocado pela comissão a prestar esclarecimentos, porém não compareceu. Reportagem do Correio publicada no início de dezembro trouxe à tona a questão e foi compartilhada por milhares de internautas nas redes sociais.

A maior reclamação de todos que participaram da audiência é a falta de infraestrutura para empreendimentos do porte dos propostos. ;Pirenópolis sofre com o trânsito caótico nos feriados. Não tem cadeia pública; portanto, no fim de semana fica desassistida quanto à segurança. Temos vivenciado na cidade, todas as semanas, apagões de luz e falta de água;, disse o turismólogo Luis Triers.

Outra reclamação é que os empreendimentos podem destoar do cenário da cidade, que possui característica própria. Moradores também denunciam que os projetos ameaçam o meio ambiente porque preveem obras em áreas de nascentes e lagos. A cidade de Pirenópolis, situada a 140km de Brasília, foi tombada como conjunto arquitetônico, urbanístico, paisagístico e histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1989.

;Vai acabar com nosso charme, com a nossa cidade. São empreendimentos que vão contra o nosso sossego. Pirenópolis tem turismo cultural, ambiental, nosso centro histórico tombado;, disse a representante dos moradores de Pirenópolis, Maria Rosa Demarchi. Ela relata que o Plano Diretor da Cidade, criado há 13 anos, deveria ter sido revisto, mas foi refeito. ;Ele expandiu tremendamente a cidade. Ao expandir, trouxe olhares de grandes empreendedores e despertou esse interesse para se instalar em Pirenópolis. Esse novo Plano foi apresentado em audiência pública, no ano passado, mas ainda está aguardando determinação judicial porque houve ação popular contra. Aí, de repente, ficamos surpresos em saber que diversos empreendimentos desse porte, grandes, estão em expansão;, explicou.

A prefeitura liberou os alvarás de construção para os edifícios Estrada Parque dos Pireneus ; hotel que comportará 600 hóspedes com 150 apartamentos e ficará fora da área urbana ; e Quinta de Santa Bárbara ; um condomínio de flats, com 192 apartamentos, no centro histórico.

O líder do DEM no Senado, senador Ronaldo Caiado (GO), que convocou a audiência, garantiu que, no retorno do recesso parlamentar, pedirá nova audiência, convocando, novamente, o prefeito de Pirenópolis e também os empresários responsáveis pelos empreendimentos, para esclarecimentos.

Projetos sustentáveis

De acordo com o desenvolvedor do projeto Estrada Parque dos Pireneus, Flávio Thadeu Câmara, o empreendimento será construído fora da área urbana da cidade e de forma completamente sustentável. Ele explicou que entrou com pedido de licença ambiental em 2010 e passou, rigorosamente, por todas as necessidades demandadas. Assim, recebeu a licença prévia para realizar o projeto. Ele registrou o projeto na prefeitura da cidade e assumiu termo de compromisso para a construção de uma estação de tratamento de esgoto. ;Vamos também ter um gerador de energia no projeto; portanto, não vamos usar a energia da cidade. Além disso, vai ter reciclagem do lixo e reaproveitamento da água da chuva;, disse. O empreendimento, segundo Câmara, será para o relaxamento dos hóspedes, para que curtam a natureza. Não terá, por exemplo, um parque aquático.

A arquiteta e sócia do grupo empreendedor do Quinta Santa Bárbara, Juliana Mesquita, explicou que, desde o início de 2014, o projeto passou por várias análises rigorosas da Secretaria de Meio Ambiente, Iphan e prefeitura. O empreendimento também terá gerador de energia e a água será fruto da perfuração de três poços artesianos. ;Não existe nada de irregularidade. Não utilizaremos a rede de água da cidade. O que sobrar dessa água dos poços vai, inclusive, abastecer Pirenópolis;, explicou. Também foi exigida uma estação de tratamento de esgoto no empreendimento, o que será feito. Em relação ao trânsito, Juliana explicou que existem três possibilidades de acesso e, como o projeto está dentro do centro histórico, as pessoas não precisarão de carros para se deslocarem dentro da cidade.

A Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Pirenópolis informou que o prefeito não compareceu à audiência porque estava em compromisso com a Secretaria de Desenvolvimento Social do município durante a manhã de ontem. Mas tem interesse no debate e está disponível para próximas oportunidades.

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