Estimular o empreendedorismo para diminuir desemprego

Estimular o empreendedorismo para diminuir desemprego

» PAULO FELDMANN Professor de economia brasileira da USP e diretor da Associação Latino Americana de Pequenas Empresas (Alampyme)
postado em 29/06/2016 00:00
Já passam de 11 milhões os desempregados em todo o país. Isso já acarretou com que mais de 2 milhões de pessoas deixassem seus planos de saúde e passassem a engrossar o grupo de pessoas que se utilizam do SUS. Não há duvida de que os serviços sociais vão passar a ser muito mais utilizados e a qualidade, que já é sofrível, vai piorar ainda mais. Essa é apenas uma das consequências imediatas da crise econômica atual. O desemprego é o maior dos males que a economia de um país pode sofrer ,não só porque humilha e acaba com a autoestima de suas vítimas, mas porque gera uma bola de neve.

Com o desemprego cai o consumo e a produção. Se a produção diminui, as empresas têm que cortar e diminuir ainda mais seus empregados. Esse processo gera um circulo vicioso interminável que provoca a queda da arrecadação do governo. A queda hoje não é apenas um problema federal, mas também muitos estados e municípios estão falidos como tem noticiado o Correio Braziliense.

O problema se agrava quando se considera que devido ao crescimento vegetativo da população, o Brasil tem necessidade de criar cerca de 2 milhões de empregos por ano. Isso é possível e até relativamente fácil de ser feito em época de vacas gordas quando a economia cresce e vai bem, mas não é o caso nem agora nem no próximo ano. A maioria das empresas está preocupada em reduzir custos e eliminar mão de obra.

Uma forma inteligente para se resolver o dilema é estimular a capacidade empreendedora do brasileiro, dando-lhe condições de criar e manter o próprio negócio, evitando que ele vá tentar se colocar como empregado nas grandes ou médias empresas. Ou seja, a saída está no estímulo ao empreendedorismo, apoiando e sustentando a criação de pequenos negócios pelo país a fora. Capacidade empreendedora tem tudo a ver com pequenas empresas, pois o indivíduo que é dono de uma boa ideia se dirige ao mercado, em um primeiro momento criando a sua empresa.

Mas, por ora, a situação da micro e da pequena empresa no Brasil é absolutamente critica. Isso é facilmente constatável pelos números do próprio Sebrae: nada menos do que 58 % dos empreendimentos brasileiros sucumbem em menos de quatro anos. Elas são 99,1 % do total de empresas registradas no Brasil que beira aos 8 milhões de empresas. Geram 53 milhões de empregos, mas são responsáveis por menos de 27 % do nosso PIB. Esse índice é um dos mais baixos do mundo. Na maioria dos países, elas têm participação muito maior. Naa Itália e na Espanha, respondem por quase 60 % dos respectivos PIBs. Se olharmos para a participação delas nas nossas exportações os números são ainda piores: na Itália, as micro e pequenas empresas respondem por 42% das vendas ao exterior, no Brasil, elas são responsáveis por míseros 1,4 %.

Quase todos problemas das micro e pequenas empresas no Brasil são resultantes da baixa produtividade, que lhes subtrai competitividade. Mas as causas para isso são sobejamente conhecidas e podem ser resolvidas com medidas inteligentes e políticas públicas adequadas. Hoje, o pequeno empresário não tem capacitação adequada para gerir a empresa, não consegue linhas de financiamento, não sabe como exportar os produtos e, muito menos, desenvolver inovações. Sofre com a burocracia, a imensa carga tributária, a taxa de juros e a falta de crédito, e ainda tem dificuldade para enfrentar a concorrência das empresas internacionais ; presentes em todos setores da economia.

Não ter políticas de apoio ao micro e ao pequeno empresário significa deixar para o mercado a solução do problema, o que quase sempre se dá em favor do grande e do megaempresário. Não há necessidade de se criar um ministério para as pequenas, mas, sim, fazer com que todo o governo se volte para esse segmento que tem tudo para ser o polo que poderá fazer o Brasil crescer e sair da crise. No mínimo, vamos diminuir o desemprego.

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