PF aponta crime no PMDB

PF aponta crime no PMDB

postado em 12/09/2017 00:00

Relatório da Polícia Federal sobre integrantes do PMDB na Câmara dos Deputados aponta indícios de que o presidente Michel Temer e os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral) e Eliseu Padilha (Casa Civil) cometeram crime de corrupção. O documento indica também que Temer teria recebido R$ 31,5 milhões de vantagens por participar de suposta organização criminosa, formada por políticos, que atuou na Petrobras e nos governos petistas.

As conclusões da polícia foram encaminhadas ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF). O relatório da investigação, iniciada em 2015, era aguardado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para finalizar uma eventual segunda denúncia contra Temer, por organização criminosa e obstrução da Justiça.

Além de Temer, Moreira e Padilha, o relatório da PF aponta a participação na organização criminosa dos ex-presidentes da Câmara Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves e do ex-ministro Geddel Vieira Lima ; todos presos atualmente por crimes investigados nas Operações Lava-Jato e Cui Bono.

Há indícios de organização criminosa, segundo o relatório da PF, porque os peemedebistas investigados tinham poder sobre os demais membros do grupo e a capacidade de repartir o dinheiro obtido por meio de práticas ilícitas como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, fraude em licitação e evasão de divisas.

Segundo a polícia, Temer influenciava as tomadas de decisão do PMDB da Câmara para fazer indicações políticas a cargos estratégicos do governo. Ele também, de acordo com o relatório, articulava com empresários beneficiados nos esquemas recebimento de valores de doações eleitorais. Para os policiais federais, o presidente recorria a terceiros para atuar no controle do grupo ; nesse cenário, Moreira, Padilha e Geddel seriam ;longa manus; de Temer para obter recursos de empreiteiras e grandes empresas, como a JBS.

Vantagens

No montante atribuído a Temer, a PF considera R$ 500 mil que estavam com o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, R$ 10 milhões da Odebrecht, R$ 20 milhões do contrato PAC SMS da diretoria de Internacional da Petrobras e R$ 1 milhão entregue ao coronel João Baptista Lima Filho, amigo do peemedebista.

A investigação mostrou, no entendimento da PF, que, na organização hierárquica do PMDB da Câmara, Temer seria uma figura semelhante a Cunha. Para os investigadores, enquanto o ex-presidente da Câmara desenvolvia a parte obscura das negociações, Temer tinha como função oficializar os atos praticados pelo ex-deputado.

Em agosto, o ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no STF, rejeitou o pedido de Janot para incluir Temer na investigação do PMDB da Câmara. O ministro, no entanto, permitiu que houvesse compartilhamento de informação dos dois inquéritos. A PF aponta no relatório que, com isso, foi possível ampliar o objeto do inquérito.

Para Janot, a organização criminosa de políticos formada para atuar na administração pública é composta por integrantes do PP, do PT, do PMDB do Senado e do PMDB da Câmara. O procurador-geral já ofereceu denúncia, nos últimos dias, para todos os ramos da investigação, exceto o PMDB da Câmara.

Em nota, Michel Temer afirmou que ;não participou nem participa de nenhuma quadrilha; e que ;lamenta insinuações descabidas com intuito de tentar denegrir sua honra e imagem pública;. Também em comunicado, Eliseu Padilha sugeriu que o relatório da PF não merece resposta. Já Moreira Franco disse: ;Jamais participei de qualquer grupo para a prática de ilícito. Repudio a suspeita;.

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