Tolerância à vida

Tolerância à vida

postado em 13/12/2017 00:00
Arlon Fernando da Silva, 29 anos, provavelmente não teve tempo de reação e foi pego de surpresa ao ser esfaqueado na região da axila, ao lado do Palácio do Buriti. Era noite de quinta-feira e, pouco depois de o doutorando em física sangrar até conseguir ser resgatado, para morrer no hospital, eu saía da Redação do Correio, a poucos metros dali. No dia seguinte, Anderson Ferreira de Aguiar, 49 anos, foi executado com cinco tiros pelas costas. Ao tentar socorrer o pai, Rafael Ferreira, 21, foi atingido duas vezes na cabeça pelo vizinho, no Jardim Botânico. Os prováveis motivos dos crimes: uma bicicleta e uma lixeira. A vida reduzida a quase nada. Famílias destroçadas pela estupidez e pela barbárie indizível.

O vizinho assassino está preso na Papuda. No momento em que escrevia esse texto, o algoz de Arlon ainda não tinha sido identificado. Depois de cumprirem parte da pena, os dois estarão livres nas ruas para matar novamente. Às famílias de Arlon, Anderson e Rafael caberão apenas a saudade, a dor e as lembranças que se esvairão com o tempo. A elas foram impostos o trauma da violência banalizada e a ausência de alguém arrancado de seu seio. Crimes como estes infelizmente ocorrem nas áreas menos favorecidas de Brasília e do Brasil e acabam não se tornando notícia.

A sociedade necessita de mais tolerância, de respeito à vida e de valores morais, éticos e religiosos. Também precisa cobrar dos legisladores leis mais rígidas, ou veremos a polícia enxugar gelo, ao prender o assassino para que um juiz decrete sua libertação, obedecendo aos variados recursos e remédios constitucionais. É imprescindível a reforma do Código Penal, com a adoção de penas mais rígidas, capazes de impor o mínimo de temor aos potenciais criminosos. Ao mesmo tempo, que o Estado e as entidades de defesa dos direitos humanos privilegiem a assistência aos familiares das vítimas, e não os detentos. A vida deveria ser vista como um bem intocável, sagrado e inalienável. Ninguém tem o direito de roubar sonhos, semear dor e sofrimento, interromper planos. Ninguém tem o direito de matar.

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