Rússia anuncia uma trégua humanitária

Rússia anuncia uma trégua humanitária

postado em 27/02/2018 00:00
 (foto: Abdulmonam Eassa/AFP)
(foto: Abdulmonam Eassa/AFP)


Dois dias depois de o Conselho de Segurança das Nações Unidas adotar uma resolução que pede um cessar-fogo na Síria por 30 dias, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, determinou ontem que seja cumprida a partir de hoje uma trégua matinal, com fins humanitários, no enclave de Ghouta Oriental. Moscou, ao lado do Irã, é o principal aliado externo do presidente Bashar al-Assad, e a aviação russa dá apoio decisivo para a ofensiva do exército sírio contra o último bolsão rebelde na periferia da capital, Damasco. Apenas nos últimos nove dias, os bombardeios deixaram mais de 550 mortos, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), que monitora o conflito há sete anos.

;Sob ordem do presidente (Putin) e com o objetivo de evitar perdas humanas entre os civis de Ghouta Oriental, uma trégua humanitária será instaurada a partir de 27 de fevereiro, das 9h às 14h (horário local);, anunciou o ministro russo da Defesa, Sergei Shoigu. Ele informou que serão estabelecidos ;corredores humanitários; para a remoção priotitária de feridos e doentes entre as 400 mil pessoas que estão retidas no enclave, sitiado há mais de três anos pelas forças leais a Assad. ;As coordenadas estão prontas e serão divulgadas em breves;, completou Shoigu.

;Cinco horas é melhor do que nada, mas gostaríamos que a trégua se prolongasse por 30 dias, como determinou o Conselho de Segurança;, reagiu o porta-voz da ONU Stephane Dujarric. Embora tenham diminuído de intensidade, os disparos de artilharia contra Ghouta continuavam ontem e deixaram ao menos 22 mortos, segundo o OSDH, que tem sede em Londres e uma rede de ativistas que informam a partir do território sírio. ;Os bombardeios foram interrompidos às 16h (11h em Brasília) e retomados no início da noite, de forma limitada;, disse o diretor do OSDH Rami Abdel Rahman.

O Kremlin sustenta que a ofensiva do regime sírio tem por objetivo ;libertar; a região de Ghouta Oriental de ;terroristas;. O texto da resolução aprovada pelo Conselho de Segurança, após a inclusão de emendar exigidas pela Rússia, exclui da trégua grupos extremistas como o Estado Islâmico (EI) e facções ligadas à rede Al-Qaeda. Uma delas, o Jaish al-Islam (;exército do islã;, em árabe), seria o alvo principal dos últimos bombardeios. Diplomatas ocidentais acusaram Moscou de prolongar o debate na ONU com o objetivo de dar tempo às forças de Assad para reforçar posições e preparar o assalto por terra contra Ghouta.

O secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, pediu urgência na implantação da trégua definida no sábado. ;Espero que a resolução seja aplicada imediatamente, para tornar possível prestar ajuda e serviços humanitários;, declarou. ;As resoluções do Conselho de Segurança só têm sentido se são efetivamente aplicadas. Ghuta Oriental, em particular, não pode esperar: Já é hora de acabar com esse inferno na terra.;

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