Facção agia em cadeias no Entorno

Facção agia em cadeias no Entorno

Detentos presos no Novo Gama e em Águas Lindas de Goiás participavam do esquema desarticulado pela Polícia Civil do DF há dois dias na Papuda. Segundo a investigação, eles mantinham contato com integrantes de organização criminosa em outros estados

» ISA STACCIARINI
postado em 28/04/2018 00:00
 (foto: Isa Stacciarini/CB/D.A Press)
(foto: Isa Stacciarini/CB/D.A Press)

Dois dias depois de cumprirem 13 mandados de prisão preventiva contra detentos do Complexo Penitenciário da Papuda, policiais civis entraram em cadeias do Novo Gama (GO) e de Águas Lindas de Goiás para desarticular o envolvimento de encarcerados com o crime organizado. Na segunda fase da operação Prólogo, agentes identificaram cinco homens que tentavam criar uma célula de facção criminosa, com atuação em outros estados, no Distrito Federal. Considerados bandidos de alta periculosidade, eles mantinham contato com integrantes do grupo de outras unidades da Federação e acabaram indiciados por participação em organização criminosa.


Três alvos da operação estavam no Novo Gama e dois em Águas Lindas. Além das prisões, policiais também cumpriram cinco mandados de busca e apreensão. Segundo o diretor da Divisão de Repressão às Facções Criminosas (Difac), delegado Jonas Bessa, eles tinham conexão com o mesmo grupo que os presos da Papuda (leia Memória). ;Tratam-se de elementos perigosos, que cumprem pena por tráfico de drogas e por roubo, os principais crimes que arrecadam dinheiro para o grupo criminoso;, explicou.

Nas celas, policiais da Difac apreenderam seis celulares, carregadores, maconha e cartas com comando para a execução de outros crimes. O delegado explicou que esses objetos entravam no sistema penitenciário de Goiás com visitantes ou eram lançados pelos muros da cadeia. ;São estabelecimentos prisionais menores e com maior quantidade de presos, o que acaba tornando mais fácil a entrada desses produtos;, informou Jonas Bessa.


Por meio dos celulares, os detentos faziam teleconferência com integrantes da facção de outros estados. As mensagens e os conteúdos passarão, agora, por perícia para identificação de outros participantes. A polícia não descarta a possibilidade de novas operações em breve. ;Essas ações visam desestimular a continuidade e o crescimento dessa organização criminosa e impedir que ela possa se erradicar no Distrito Federal;, reforçou o investigador.

Batismo
Segundo o delegado, alguns presos estavam para ser colocados em liberdade provisória, mas, agora, serão remanejados para outras alas dentro do próprio sistema prisional. Na opinião de Jonas Bessa, em razão de maior repressão dos órgãos de segurança pública do Distrito Federal, criminosos acabam migrando para o Entorno do DF. ;Para fazer parte dos grupos, eles eram batizados e oficialmente integravam a facção, era uma forma de aceitarem todas as regras;, esclareceu.

Os cinco presos prestaram depoimento dentro dos presídios. De acordo com o delegado, as investigações contra essa facção criminosa começaram em 2000. Desde então, integrantes tentam se estabelecer no DF. ;É um trabalho contínuo da polícia e dos órgãos de segurança com o amparo judicial e do Ministério Público que tem possibilitado o resultado dessas apreensões e prisões que evitam o crime organizado se instalar no DF.;

Apesar de as prisões terem ocorrido no Entorno do DF, os mandados foram expedidos pela 4; Vara Criminal de Brasília, por serem referentes à mesma investigação ocorrida na Papuda. Policiais cumpriram as determinações com o apoio do sistema prisional de Goiás, além do Grupo de Interferências Táticas (GIT) e do Grupo de Operações Penitenciárias Especiais (GOE). ;A atuação do sistema prisional foi um exemplo de trabalho em conjunto para contribuir com a desarticulação contra o crime organizado;, ressaltou o coordenador do Combate ao Crime Organizado, aos Crimes contra a Administração Pública e contra a Ordem Tributária (Cecor), delegado Fernando César, unidade à qual a Difac está vinculada.


Memória

Crimes ordenados de dentro da Papuda

Na primeira fase da operação Prólogo, policiais cumpriram 13 mandados de prisão preventiva contra homens encarcerados no Complexo Penitenciário da Papuda. Eles são suspeitos de fazer parte de uma das maiores facções criminosas do país. De dentro da cadeia, agiam para praticar novos crimes. Eles estavam alojados nas penitenciárias I e II, no Centro de Detenção Provisória (CDP) e no Centro de Internação e Reeducação (CIR). Dentro das celas, policiais encontraram cartas com orientações para execução dos crimes, além de cadernos em que os presos anotavam os nomes, apelidos e a função de cada um nas organizações criminosas. Com esse material, os investigadores fizeram o mapeamento inicial de quem participa dessas facções. A investigação demonstrou que o objetivo dos criminosos era expandir a atividade criminosa, ter acesso a drogas e a armas e aumentar o lucro da facção.




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