O amor nas festas de são joão

O amor nas festas de são joão

Casais apaixonados, amizades eternizadas e laços entre mãe e filhas fortalecidos ditam o ritmo das apresentações e celebrações que tomam conta da cidade dos meses de março a julho

» MATHEUS DANTAS* * Estagiário sob supervisão de Igor Silveira
postado em 15/07/2018 00:00
 (foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)

Nas quadrilhas juninas, a rotina é tão intensa que, entre os meses de março e julho, os dançarinos passam mais tempo convivendo com os colegas do grupo do que com a própria família. Esses momentos fazem com que muitas histórias de amor aconteçam ; há casais que se conhecem e se apaixonam, filhas que inspiram a mãe a dançar, amizades formadas para sempre e que deixam saudades quando partem. O Correio conta quatro histórias emocionantes. Confira!





À primeira vista

O ano era 2004. Márcio Ramos tinha acabado de entrar para a quadrilha Formiga da Roça quando, durante os ensaios na Escola São José, em São Sebastião, avistou a mulher que mudaria a vida dele para sempre. ;Estávamos ensaiando quando vi Tatiane chegar para ensaiar e confesso que não consegui olhar para mais ninguém. Foi uma paixão à primeira vista, um sentimento inexplicável;, conta o quadrilheiro.

O encontro definitivo dos dois precisou esperar, pois a moça era compromissada com outro homem e ainda se mudou para Goiânia, onde foi estudar. Três anos depois, retornou a Brasília e à junina, e havia terminado o relacionamento. ;Então fomos nos aproximando e, durante uma conversa que tivemos, eu me abri com ela e revelei todo o meu sentimento;, conta Márcio.

Do relacionamento que os dois construíram a partir daí, nasceu Márcio Ramos Júnior (foto). Os nove meses de gestação se passaram até que, em 28 de abril de 2008, o pequeno veio ao mundo, no entanto Tatiane morreu após complicações no parto. ;Foi algo que mexeu com todos, foi muito difícil, mas eu sei que valeu a pena cada minuto que passamos juntos. Este ano, eu estou voltando para a quadrilha, justo no ano em que o tema é saudade, que tem tudo a ver com minha história e transmite uma mensagem muito importante.;





O altar no arraiá

A história de amor de Bruno Mello e Gabrielle Rosa começou em 2013, quando se conheceram nos ensaios da quadrilha Num Só Piscar. Apaixonado pelo movimento junino, o casal não se desgrudou mais. Nos últimos cinco anos, passaram pelas juninas Num Só Piscar (2013/14), Triscou Queimou (2015/16) e Formiga da Roça, onde estão desde 2017. Convidado para ajudar a escrever a temática da junina, que falaria sobre as simpatias para casamento, Bruno logo teve a ideia de pedir Gabrielle em casamento no meio do arraial.

Era 12 de julho de 2017, a quadrilha Formiga da Roça seria a última a se apresentar e a fechar a primeira etapa do circuito, uma oportunidade única. ;Achei mais do que justo pedi-la em casamento em um lugar pelo qual somos apaixonados e que nos faz muito bem, que é o arraial;, conta Bruno.

Mal sabia o dançarino que realizaria um dos maiores sonhos da amada. ;Eu fiquei muito surpresa, porque eu não imaginava que um dos meus maiores sonhos estava acontecendo. Foi algo muito surreal, porque, por incrível que pareça, nesse mesmo dia, momentos antes de entrarmos no arraial, eu tinha comentado com algumas meninas que meu maior sonho era ser pedida em casamento em noite de São João, na frente de muita gente, e aconteceu!”, lembra Gabrielle.





Surpresa para a amada

Wellington Zacarias e Leonice Araújo se conheceram em 2016, em uma igreja no Recanto das Emas. Ele vivia uma vida agitada, dançava quadrilha, trabalhava e fazia faculdade. Leonice, professora, muito reservada e tímida, jamais imaginava a surpresa que ganharia no ano seguinte. Era 21 de julho de 2017. O dançarino estava completando mais um ano de vida, e a quadrilha Busca Fé se apresentaria na festa junina da igreja.

O quadrilheiro decidiu pedir a namorada em casamento na frente da comunidade que o acolhera há 17 anos. ;A festa genuína, como chamamos na nossa igreja, é a mais esperada e mais importante para todos nós, dançarinos da Busca Fé. Então, eu tive a ideia de pedir Leonice em casamento na frente de todos, após a apresentação;, explica Wellington.

O dançarino conta que ficou planejando o momento durante todo o primeiro semestre do ano e enfrentou um grande desafio para que tudo desse certo. ;Ela estava cogitando não ir à festa, por não gostar de multidão. Eu fiz de tudo para convencê-la;, detalha. Para a sorte de Wellington, a amada foi e tudo saiu exatamente conforme o planejado. ;Jamais passou pela minha cabeça que um dia eu receberia um pedido de casamento no meio de tanta gente, logo eu, que sou tão tímida. Foi tudo maravilhoso;, conta Leonice.



Homenagem

;Tô com saudade de tu, meu desejo/ tô com saudade do beijo e do mel;, é com essa trilha sonora que a Formiga da Roça, de São Sebastião, entra no arraiá, cantando e homenageando o ex-coreógrafo Diogo Dantas, morto em 2017. ;Quando nos reunimos para pensar na temática da Formiga da Roça para 2018, foi no mesmo período da morte do Diogo. Nós estávamos muito sensíveis, tudo que conversávamos, as músicas, coreografias, tudo nos lembrava dele. Então, pensamos em fazer uma temática que falasse sobre a saudade;, explica o coreógrafo Leandro Mota. A temática surgiu com a proposta de trazer uma reflexão para o público: a de valorizar as pessoas queridas que estão ao redor.




De filhas para mãe

Os pais costumam ensinar os filhos a aprender e a tomar gosto por times, comidas, músicas, entre outros. Porém, a história de Adriana Lemos é o contrário de tudo isso. ;Minhas filhas sempre gostaram muito de dança e, desde muito novas, se envolveram com quadrilhas juninas. A Isadora é a mais nova e, com 10 anos, foi noiva da Formiga da Roça mirim, em 2014. Por ser criança, eu precisava acompanhá-la nos ensaios e apresentações, além de ir assistir à Eduarda na quadrilha adulta;, conta Adriana. A rotina fez com que Adriana gostasse da quadrilha. ;No início, eu usava a desculpa de que estava dançando para acompanhar a Isadora, mas o tempo foi passando e eu me apaixonei pelo movimento junino;, ressalta a dançarina.




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