Meirelles tenta agora o apoio do "centrinho"

Meirelles tenta agora o apoio do "centrinho"

Depois de perder a negociação do centrão para Alckmin, o ex-ministro da Fazenda busca um bloco menor de nove legendas, que conta com 46 deputados e 12 senadores. A dificuldade é que até mesmo os nanicos fazem jogo duro

» Rodolfo Costa
postado em 28/07/2018 00:00
 (foto: Evaristo Sá/AFP - 4/7/18)
(foto: Evaristo Sá/AFP - 4/7/18)


O MDB segue tentando se equilibrar na tentativa de atrair apoio para a pré-candidatura de Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda. Após o fracasso em atrair o centrão ; bloco formado por PP, DEM, PRB, PR e Solidariedade ;, o presidenciável está atrás de partidos do chamado centrinho. O grupo é formado por PRTB, Podemos, PSC, PRP, Patriotas, PTC, DC (antigo PSDC), Avante e Pros, que, juntos, detêm 46 deputados e 12 senadores no Congresso. O problema é que nem mesmo lideranças das nove legendas nanicas sinalizam disposição de se coligar à campanha emedebista.

A restrição a uma aliança com Meirelles e o MDB se deve ao temor de naufragar em uma candidatura que, inevitavelmente, será vinculada, pelos opositores, ao presidente Michel Temer. A aprovação de apenas 4% do governo joga contra as perspectivas dos partidos em alçar voos mais altos na corrida eleitoral, caso se unam à campanha emedebista. Diante disso, Álvaro Dias, do Podemos, e Paulo Rabello de Castro, do PSC, seguem sendo os mais cotados para liderar o ;centrinho;.

O grupo composto pelos nove partidos decidiu nesta semana se unir para apoiar um único candidato à Presidência da República, como o centrão, que se uniu ao PSDB, de Geraldo Alckmin. Com isso, o centrinho formou a chamada Aliança Patriótica Democrática Cristã. Juntas, as legendas somam cerca de 1 minuto e 52 segundos de tempo de televisão, calculam líderes.

Os quase dois minutos de horário eleitoral gratuito agradam Meirelles. Mas é o público cristão que o emedebista está mirando. Nos últimos meses, o presidenciável estreitou laços com a comunidade evangélica. Foi a cultos e alinhou um discurso cristão mirando os religiosos. Nas últimas semanas, inclusive, tentou atrair apoio do PRB, presidido pelo ex-ministro da Indústria Marcos Pereira, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus. O apoio da legenda a Alckmin frustrou os planos do economista, que decidiu, então, mirar o centrinho.

As legendas do bloquinho reconhecem os feitos de Meirelles pela economia no governo Temer e nas duas gestões do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando foi presidente do Banco Central. Mas estão inclinadas a negar apoio. Um interlocutor do PSC afirma que os partidos procuram um perfil mais político e carismático para capitanear a aliança cristã. ;A ideia é que o nosso candidato seja um político que tenha credibilidade e empatia. Meirelles é um técnico e não é carismático. Poderia ser o caso de ser um vice;, advertiu.

Capital político

No centrinho, a análise é de que Meirelles mantém conversas para elevar o capital político e vendê-lo mais caro em um apoio a vice em alguma coligação. Álvaro Dias é o preferido para liderar. A possibilidade dele ser o segundo no comando em uma chapa, no entanto, não existe.

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse ontem em Joanesburgo, onde Temer participa de uma cúpula do Brics, que o ;candidato que leva a proposta do governo é o Meirelles. ;Ou estamos com Meirelles ou não tem candidato;, destacou. A expectativa do MDB é conseguir uma aliança com capilaridade para fortalecer a campanha em todo o país, sobretudo em áreas onde a esquerda é dominante, como o Nordeste. ;O presidente (do MDB, Romero) Jucá e Meirelles ainda trabalham com a possibilidade de uma aliança. Vai ter que ter. Alguém que pudesse representar o Nordeste seria muito bom;, disse.

O ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Marun, garante que a opção por Meirelles está consolidada e sem chance de revés. ;Como militante do MDB, estou cada vez mais animado com a candidatura. É uma pessoa metódica, disciplinada e empenhada, que nos orgulha. Não me surpreenderia um bom desempenho nas eleições. O trabalho dele é fruto de resultados;, sustentou.

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