O que não cabe em si transborda

O que não cabe em si transborda

"Outro ponto de transbordamento da produção do DF é a não fixação do artista a uma categoria visual apenas, mas a livre experimentação de linguagens, materiais, mídias e procedimentos"

Divino Sobral*
postado em 08/08/2018 00:00
 (foto: Arquivo pessoal)
(foto: Arquivo pessoal)


A produção de arte contemporânea realizada no Distrito Federal vem ganhando o interesse do circuito brasileiro de arte, vazando a demarcação de seu território de origem. Tal interesse é resultado do trabalho desenvolvido na formação de novas gerações de artistas e que frutificou bastante no decorrer dos primeiros anos do século 21.

Atualmente, longe do isolacionismo histórico, ocorrem distintas manifestações que exibem os processos de amadurecimento interno e de adensamento dos diálogos com os circuitos externos ao DF: o aprofundamento acadêmico possibilitado por mestrados e doutorados; certa agitação do mercado local; a projeção de artistas em instituições e coleções de elevada influência e visibilidade; a absorção de suas produções no mercado do eixo São Paulo ; Rio de Janeiro; a saída de artistas para outras grandes cidades em busca do aprimoramento de suas formações ou de experiências profissionais mais ambiciosas.

É necessário ressaltar que não é somente a produção de artistas residentes no Plano Piloto que chama a atenção.

A produção de artistas que nasceram e viveram nas cidades satélites e nas cidades do Entorno do Distrito Federal tem revelado inteligência visual singular, poética potente e força questionadora: Ceilândia, Gama, Planaltina e Taguatinga têm suas contribuições dadas à arte brasileira, e não apenas à arte brasiliense.

Outro ponto de transbordamento da produção do DF é a não fixação do artista a uma categoria visual apenas, mas a livre experimentação de linguagens, materiais, mídias e procedimentos, exercitando a investigação sobre as camadas de linguagens que se sobrepõem na formação do raciocínio e do discurso sobre o contemporâneo.

O Transborda Brasília age no quadro de problemas do cenário das artes visuais no Distrito Federal e seu ;entorno;, busca responder às suas questões artísticas, culturais, sociais, políticas, entre outras, inclusive trazendo para a arte a incumbência de refletir sobre esse território de complexa definição.

Sua importância está em apresentar uma possibilidade de transbordamento do que conhecemos sobre a arte produzida no Planalto Central, e, sobretudo, em permitir à jovem vazante que não cabe em si escorrer para além dos limites do leito.

* Divino Sobral é artista visual e curador independente. Reside em Goiânia. Integrou a comissão de curadores do Transborda Brasília 2016.









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