Visto, lido e ouvido

Visto, lido e ouvido

Desde 1960 Circe Cunha (interina) / circecunha.df@dabr.com.br

postado em 21/09/2018 00:00



O silêncio dos cúmplices

Com a opção tomada por todos os candidatos à Presidência da República de seguir à risca a cartilha do marqueteiros políticos, o avivamento das discussões sobre os recentes escândalos da Lava-Jato e suas consequências para a vida política do país foram, até o presente, completamente apagadas dos debates. Não se vê ou ouve dos postulantes qualquer menção aos crimes, aos personagens e, principalmente, às nefastas consequências da sucessão de delitos que arrastaram o Brasil para a mais profunda crise econômica e política de toda sua história.

O mutismo em relação a esse megafato se explica, em parte, porque ficou constatado que além do Partido dos Trabalhadores, que organizou com método todo esse esquema, praticamente todos os partidos estiveram direta ou indiretamente envolvidos nessa maracutaia. Para uma investigação dessa proporção que permanece em andamento e tem ainda muitos de seus desdobramentos por acontecer, custa a crer que os candidatos ao cargo mais importante do Estado não façam qualquer referência, até mesmo para mostrar que esses fatos não vão mais se repetir.

Os mais graves crimes de corrupção precisam vir à tona e ser debatidos à exaustão, até que não sobre mais a mínima chance de que venham a ocorrer. As grandes manifestações de rua ocorridas em todo o país exigindo o fim da velha política e da velha República ainda reverberam e exigem respostas à altura. A razão ensina que não se pode falar em projetos futuros, quando um assunto dessa gravidade não for devidamente discutido e encerrado. É preciso encerrar esse capítulo com os principais personagens e dirigentes do Estado, jogando o nome e o prestígio do país na lama e gerando mais miséria e insegurança.

Não chega a ser surpresa para ninguém que esse silêncio obsequioso faça parte de uma manobra que visa, sobretudo, reeleger os principais personagens desses crimes, na busca desesperada por prerrogativa de foro. Outros acreditam, e com boas razões, que, na virada do governo, haverá um grande acordo, a ser denominado de pacificação nacional, em que todos esses crimes serão esquecidos em nome de uma pressuposta união do país.

O que esse silêncio em torno desses crimes revela, aos ouvidos daqueles que sabem escutar, é que está em marcha não é apenas a eleição de outubro, mas um amplo movimento que visa construir uma falsa nova República, erguida sobre os mesmos pilares corroídos pela ética. Essas eleições trazem uma reforma de fachada de um velho prédio condenado a ruir. O estrondo provocado pelo colapso desse enorme edifício que ameaça em breve desabar será a resposta natural ao silêncio dos cúmplices.



A frase que foi pronunciada

;Apesar de enfrentar uma tempestade perfeita, devido à conjunção de uma profunda crise econômica com uma das maiores investigações de corrupção da história, nos últimos 25 a 30 anos,o Brasil realizou um tremendo trabalho de consolidação de sua democracia. Não cedam à tentação de colocar um candidato com tendências autoritárias na Presidência.;

Steven Levitsky, cientista político norte-americano


Cortinas abertas

; Nada como os detalhes para apontar comportamentos. No governo passado, as cortinas do Palácio do Planalto estavam constantemente fechadas. Dia e noite ninguém visualizava as salas com janelas para a Praça dos Três Poderes. Hoje é possível acompanhar os passos dos ocupantes, que não estão preocupados em ser vistos.

Receita Federal

; Nas primeiras horas da manhã, o atendimento na Receita Federal, no Setor de Autarquias Sul, melhorou muito. Vigilância na entrada, atendentes prestativas, fila rápida.

Novidade
; Grupos de WhatsApp são criados para que os voluntários nas eleições se comuniquem com os cartórios durante o pleito. Apesar do vídeo detalhado com o passo a passo sempre há surpresas numa seção eleitoral.

Surpresa
; Uma das surpresas foi a mesária que identificou a mesma criança no colo de várias mães. As eleitoras alugavam a criança para furar fila. Se por trás do voto há corrupção, não há o que reclamar do que vem pela frente.

Foice, martelo e picareta
; Quando passar o tempo de eleição, o Plenário do Senado votará na proposta de ressarcimento pago pelos presos ao Estado por todo o gasto durante a privação de liberdade. Se não houver dinheiro, um tanto melhor. O detento pagará com trabalho. O autor do projeto de lei do Senado disse que esse é o caminho para combater o ócio, oficina das facções que infestam os presídios.


História de Brasília

; O serviço era feito, anteriormente, pela firma Paulo Wettstein. O contrato foi denunciado, e passou a ser feito pela Prefeitura, pago pela Novacap. (Publicado em 31/10/1961)


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