Banco de questões

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Linguagens, códigos e suas tecnologias

postado em 23/09/2019 00:00
Exercício 1

TEXTO I

Logo depois transferiram para o trapiche o depósito dos objetos que o trabalho do dia lhes proporcionava. Estranhas coisas entraram então para o trapiche. Não mais estranhas, porém, que aqueles meninos, moleques de todas as cores e de idades as mais variadas, desde os nove aos dezesseis anos, que à noite se estendiam pelo assoalho e por debaixo da ponte e dormiam, indiferentes ao vento que circundava o casarão uivando, indiferentes à chuva que muitas vezes os lavava, mas com os olhos puxados para as luzes dos navios, com os ouvidos presos às canções que vinham das embarcações...
AMADO, Jorge. Capitães de areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2008 (fragmento).

TEXTO II
À margem esquerda do rio Belém, nos fundos do mercado de peixe, ergue-se o velho ingazeiro ; ali os bêbados são felizes. Curitiba os considera animais sagrados, provê as suas necessidades de cachaça e pirão. No trivial contentavam-se com as sobras do mercado.
TREVISAN, D. 35 noites de paixão: contos escolhidos. Rio de Janeiro: BestBolso, 2009 (fragmento).

Sob diferentes perspectivas, os fragmentos citados são exemplos de uma abordagem literária recorrente na literatura brasileira do século XX. Em ambos os textos,

a) linguagem afetiva aproxima os narradores dos personagens marginalizados.
b) a ironia marca o distanciamento dos narradores em relação aos personagens.
c) o detalhamento do cotidiano dos personagens revela a sua origem social.
d) o espaço onde vivem os personagens é uma das marcas de sua exclusão.
e) a crítica à indiferença da sociedade pelos marginalizados é direta.

Exercício 2

Manifesto antropófago

Só a ANTROPOFAGIA nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.
Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.
Tupi, or not tupi that is the question.
Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos.
Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.
Estamos fatigados de todos os maridos católicos suspeitos postos em drama.
Freud acabou com o enigma mulher e com os sustos da psicologia impressa. O que atropelava a verdade era a roupa,
o impermeável entre o mundo interior e o mundo exterior.
[...]
ANDRADE, O. Revista de Antropofagia, ano I, n. I, maio de 1928 (fragmento).

O Manifesto antropófago é um dos textos representativos da fase inicial do Modernismo, que é marcado pela tentativa de definir um posicionamento e estabelecer uma literatura moderna que
a) combate a religiosidade na arte.
b) destaca o vocabulário estrangeiro.
c) possibilita a união dos intelectuais.
d) rompe com as estruturas do passado.
e) destrói as noções de mundo vigentes.

Exercício 3

Um boi vê os homens

Tão delicados (mais que um arbusto) e correm e correm de um para o outro lado, sempre esquecidos de alguma coisa. Certamente falta-lhes não sei que atributo essencial, posto se apresentem nobres e graves, por vezes.
Ah, espantosamente graves, até sinistros.
Coitados, dir-se-ia que não escutam nem o canto do ar nem os segredos do feno, como também parecem não enxergar o que é visível e comum a cada um de nós, no espaço.
E ficam tristes e no rasto da tristeza chegam à crueldade.
Toda a expressão deles mora nos olhos ; e perde-se a um simples baixar de cílios, a uma sombra.
Nada nos pelos, nos extremos de inconcebível fragilidade, e como neles há pouca montanha, e que secura e que reentrâncias e que impossibilidade de se organizarem em formas calmas, permanentes e necessárias.
Têm, talvez, certa graça melancólica (um minuto) e com isto se fazem perdoar a agitação incômoda e o translúcido vazio interior que os torna tão pobres e carecidos de emitir sons absurdos e agônicos: desejo, amor, ciúme (que sabemos nós), sons que se despedaçam e tombam no campo como pedras aflitas e queimam a erva e a água, e difícil, depois disto, é ruminarmos nossa verdade.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Claro enigma. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p. 25.

Um aspecto do poema em que se manifesta uma temática presente no Modernismo é o(a)

a) discussão sobre a melancolia dos indivíduos.
b) presença de um eu lírico que não é humano.
c) comparação entre o homem e os seres inanimados.
d) análise sobre o caráter existencial do ser humano.
e) presença exagerada de expressões de cunho coloquial.

Exercício 4

TEXTO I

A tecnologia auxilia no desenvolvimento da ciência, da medicina, da agricultura, da indústria e na disseminação do conhecimento.
Existe, porém, o outro lado da moeda. Se você faz parte dos 68% que pegam o celular assim que abrem os olhos, de acordo com levantamento da revista Time, ou dos surpreendentes mesmos 68% que acionam o aparelho ainda dormindo, segundo pesquisa da consultoria Deloitte, certamente está sucumbindo à tentação da conexão 24/7 (24 horas por sete dias da semana).
E talvez comece a perceber os efeitos nocivos dessa interação constante e concorde com o que a jornalista americana Catherine Price diz em Celular: Como Dar um Tempo [...], recém-lançado no Brasil: ;Ao mesmo tempo que estamos ocupados, também nos sentimos ineficientes. Estamos conectados, mas somos solitários. A tecnologia que nos dá liberdade também funciona como uma prisão ; quanto mais ficamos presos, nos perguntamos com mais frequência quem está realmente no controle. O resultado é uma tensão paralisante;.
TOZZI, E.; GÓMEZ, N. Como evitar que o vício em celular acabe com sua produtividade. Disponível em: https:/exame.abril.com.br. Acesso em: 23 abr. 2019.

TEXTO II
Somos devotos do deus da inércia. O celular vem a ser uma parte do ritual desse culto, pois nos poupa empenho e esforço. E nos dá a sensação de potencialidades abertas. Ele é o melhor exemplo de pequena potencialidade literalmente ao alcance da mão que nos livra de muitos desempenhos que seriam sofríveis se tivéssemos que nos esforçar por eles a todo momento. Estamos vendo tudo, toda informação em potencial, todos os nexos em potencial, todos os contatos possíveis, o tempo todo e, além de tudo, tudo tão efêmero e superficial. Nos regozijamos com a superficialidade porque, de fato, interpretamos que ela é o que tem que ser. Somos signatários dessa vida instantânea, imediata, sem densidade. Nos habituamos à superfície porque não conhecemos nada melhor do que ela.
TUBURI, M. Nós e os aparelhos: sobre at

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