Continuação da entervista

Continuação da entervista

postado em 26/12/2019 00:00
 (foto: Renato Alves/Agência Brasília)
(foto: Renato Alves/Agência Brasília)

Como vai ser isso?
Temos que implantar um sistema de meritocracia realmente porque não funcionou essa quantidade de reajuste que se deu aqui em Brasília, desde a época do Rosso. O Rosso pegou dinheiro que tinha no cofre e foi dando reajuste, depois veio a pressão em cima do Agnelo e estourou em cima do Rollemberg, mas foi uma sequência de erros, e não melhorou a produtividade do DF.

Então é pegar o dinheiro e beneficiar quem merece mais?
E quem mais a população mais precisa. Quais são as principais áreas? Na segurança, já estamos cuidando agora com o presidente Bolsonaro. Vai sair alguma coisa e, vindo o Fundo Constitucional para o DF, a gente dá o restante do reajuste da maneira como a gente tinha colocado no nosso projeto. Então, resolvendo segurança, saúde e educação nós teremos os três principais problemas da cidade solucionados.

Como está a questão do reajuste das forças de segurança?
O ministro da Economia (Paulo Guedes) avaliou a nossa proposta e entende que não é um momento adequado para se dar esse reajuste. Isso é um pensamento que vem do Ministério do Planejamento há muito tempo. Eles não têm coragem de enfrentar a realidade do debate. É que ao longo dos últimos anos, todo o serviço público federal teve reajuste e a Polícia do DF, que é vinculado ao orçamento da União, através do Fundo Constitucional, não teve esse reajuste. Então, o que eles ofereceram foi 8% agora e transferir o Fundo Constitucional para a gestão do DF. Aí o governador faz do jeito que ele quiser. Isso está excelente.

Resolve a questão também do imposto de renda da segurança e passa a ser retido pelo DF sem questionamento?
Resolve. Eles estão anistiando todo o período do tempo passado. O que nós fizemos esse ano em relação ao Fundo Constitucional é um trabalho do ano todo. Foram várias reuniões, teve um momento até de desespero meu, quando parti para cima do Tribunal de Contas (da União) naquela atitude correta naquele momento. Eu já pedi desculpas, mas faltou um pouco de confiança do Tribunal de Contas que me conhece como advogado. Eles sabem que sou um bom advogado que sei enfrentar os problemas. Nós enfrentamos tudo.

A PM e Civil vão ter o mesmo reajuste?
A gente quer aproximar o máximo possível. Você não consegue dentro de uma política remuneratória tão diferente. Um recebe por subsídio e outro por soldo. E são quase oito gratificação dentro da PM e do Corpo de Bombeiros. Tecnicamente é impossível igualar, mas quero aproximar o máximo possível. Acredito que as três forças são importantes para a cidade.

A relação com o governo Bolsonaro é boa?
Sim. Não vivo no gabinete do presidente Bolsonaro, mas sou atendido por todos os ministros, sou tratado com muito respeito. Dentro dos ministérios, nunca senti nenhum tipo de retaliação ao nosso governo e posso afirmar que o governo Bolsonaro tem sido muito parceiro do DF, como eu não tinha visto nos últimos anos, mesmo na época em que o PT governava o DF e o governo federal.

Com o ministro da Justiça, Sergio Moro, a relação é difícil?
Não é que seja difícil. Ele está fazendo o trabalho dele e nós temos uma perspectiva de pensamento político diferente. Eu venho da advocacia e ele era um magistrado de vara criminal. Entendo que ele peca nessa questão da segurança em algumas coisas, por exemplo, a administração do Fundo Nacional de Segurança que era para ser automático. Nós tivemos que entrar na justiça para poder liberar um fundo que é dos governadores. O governo federal não faz a parte dele. E aí, neste ponto, acho que o ministro Moro tem pouca agilidade. Está faltando um projeto de segurança nacional.

Aliás, na semana passada teve uma operação do Ministério da Justiça no presídio federal de Brasília, onde está preso o líder do PCC, Marcos Camacho, o Marcola, e isso não foi comunicado oficialmente ao GDF...
Não. E nem quero. O problema é dele. Ele (Moro) já disse que o problema é dele, então fique com o problema dele lá. A resposta dele é que ele garantia a segurança. Eu me coloco contra essa questão do presídio porque acho que é de uma irresponsabilidade profunda você ter um presídio federal, com criminosos da mais alta periculosidade, dentro de uma capital da república. E não adianta dizer ;ah, lá dentro ele está seguro;. Está. Mas a gente sabe como o crime organizado trabalha. Eles vêm para perto.
O senhor já chegou a dizer em algumas conversas que até poderia surgir uma candidatura nacional. Quais são seus planos?
Tudo o que eu me disponho a fazer eu quero fazer o melhor. Quando fui candidato, eu dizia que ia ganhar as eleições quando ninguém acreditava. Fui um candidato competitivo e ganhamos. Qual era o meu projeto? Ser um bom governador para o DF. O ano de 2020 consolida a minha posição enquanto autoridade dentro da cidade, reconhecido, esforçado. No final de 2020, início de 2021, vou saber o sentimento da população em relação a mim. Se for um sentimento de aceitação do nosso trabalho, talvez eu trabalhe nessa linha e talvez me candidate à reeleição. Mesmo não gostando do instrumento da reeleição, acho que quatro anos é muito pouco para se consertar uma cidade que estava tão abandonada. Mas eu só vou fazer isso se eu tiver a aceitação da população.

E no MDB, a sua opinião é que o partido tem que construir um nome?
O MDB vai crescer muito nas eleições municipais. O presidente Baleia (Rossi) é fruto de um acordo nosso. É a primeira vez que o partido teve uma candidatura unida em torno de um nome e ele vai crescer. Ele está viajando, fazendo um belo trabalho, visitando os estados. Eu, quando posso, vou com ele, nas principais capitais. Temos feito um trabalho de filiação de prefeitos que tem nos ajudado muito.

Sempre se fala que o primeiro ano de governo é para arrumar a casa. Acredita que o segundo ano será mais fácil?
Acredito que isso é conversa de preguiçoso. Vai arrumar, vai arrumar e termina não fazendo nada. Nós entramos aqui fazendo as duas coisas: arrumando e fazendo. O ano de se ganhar a credibilidade é o primeiro. Todos que fizeram diferente se deram mal. Mas não tenho dúvida de que o segundo ano será melhor. Primeiro porque pego um orçamento feito por mim. Pego estrutura, projetos que fui eu que elaborei.

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