Para ampliar horizontes

postado em 02/02/2014 00:00
 (foto: Cláudio Márcio/Divulgação
)
(foto: Cláudio Márcio/Divulgação )

Outra instituição que ganhou bastante ao se transformar em ponto de cultura foi a Associação Crepúsculo, cujo projeto Diversidade em Ponto proporcionou a continuidade e a ampliação das atividades artísticas e culturais desenvolvidas, como oficinas inclusivas de artes plásticas, contação de histórias, musicalização, dança e teatro. Diretora artística da entidade, a bailarina e terapeuta ocupacional Luciane Kattaoui conta que o projeto foi criado com o intuito de atender a todo tipo de deficiência ou limitação, seja física, cognitiva ou mental. Ela percebeu que os diversos tipos de linguagem poderiam auxiliar seu público. ;Às vezes a pessoa chega aqui para fazer um curso de teatro ou dança, mas precisa de fonoaudiologia, alfabetização, acompanhamento mais clínico e pedagógico. E isso tudo é ofertado aqui;, diz.

Desde que se transformaram em ponto de cultura, mais pessoas passaram a ser atendidas nos vários programas, já que os recursos bancam os professores e o material utilizado nas oficinas do período vespertino. ;Ser ponto de cultura nos proporcionou oferecer cinco oficinas gratuitas, com 20 vagas cada. Os recursos ajudaram a nos equipar, porque conseguimos adquirir livros, máquinas fotográficas, colchonetes e instrumentos musicais. Para uma instituição como a nossa, é difícil bancar tudo isso. Nesse período de três anos que somos auxiliados pelo programa, a gente vem conseguindo se manter, para depois poder andar com as próprias pernas;, ressalta.

Luciane garante que nunca teve problemas com atraso no repasse da verba e que, frequentemente, fiscais do programa fazem monitoramento e diagnóstico para conferir se tudo está seguindo bem. ;Valorizo demais essa ação. Não tenho do que me queixar;, reitera.

Lucas Henrique de Oliveira, de 26 anos, é outra pessoa depois que ingressou nas oficinas do Crepúsculo. Sua evolução e alegria são evidentes, como destaca a mãe, Jacqueline de Oliveira. O rapaz tem dificuldades de cognição e de aprendizado, mas os médicos nunca conseguiram dar um diagnóstico real. Lucas se adaptou tão bem às atividades que hoje participa dos cursos de culinária, artes, dança e descobriu um novo talento, a massoterapia.

;Quando ele entrou na associação, eu não tinha condições de pagar o período todo, e, como as oficinas da tarde são de graça, ele fica lá das 13h até as 17h e adora. Você não imagina como ele evoluiu e está satisfeito. O Crepúsculo ajudou muito meu filho e o mais interessante é que ele saiu da situação de ajudado para a de ajudante. Ele auxilia os cadeirantes, aprendeu a linguagem dos sinais e se comunica com os surdos e mudos. Hoje, Lucas pode fazer pelo outro o que fizeram com ele e pode até ser que, com o passar do tempo, ele se torne um dos monitores também;, celebra Jacqueline.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação