Militares ignoraram alertas, diz Anistia

Militares ignoraram alertas, diz Anistia

postado em 10/05/2014 00:00
 (foto: STR/AFP)
(foto: STR/AFP)



A Anistia Internacional acusou ontem o Exército nigeriano de ter ignorado os alertas de que o grupo radical islamita Boko Haram iria atacar uma escola em 14 de abril passado. Foi justamente naquele dia que os fundamentalistas retiraram à força 276 garotas de um internato público em Chibok, no nordeste do país. Passados 26 dias do sequestro das jovens, que têm entre 15 e 18 anos, especialistas americanos e britânicos desembarcaram ontem em Abuja para ajudar o governo nigeriano nas operações de busca.

Alvo de fortes críticas internacionais pela ineficiência em resgatar as jovens das mãos dos extremistas, o presidente Goodluck Jonathan disse ontem acreditar que as adolescentes permaneçam em território nigeriano. ;Existem versões de que elas foram levadas para fora do país. Acho que tantas pessoas não poderiam ter sido levadas a Camarões sem que fossem vistas. Por isso, acredito que elas ainda estejam na Nigéria;, afirmou Goodluck Jonathan, garantindo que seu governo está ;está completamente envolvido no resgate às jovens meninas;.

As investigações, de acordo com o presidente, indicam que os insurgentes estariam com as garotas na área de Sambisa, um bosque nos arredores de Chibok. Segundo as estimativas, 53 jovens teriam conseguido escapar. Das 223 cativas, parte teria sido vendida grupo islamita.

Sem reação
Para a Anistia Internacional, esse sequestro ; sem precedentes ; poderia ter sido evitado se as forças de segurança nigerianas tivessem reagido a avisos prévios. O grupo de defesa dos direitos humanos disse ter confirmado que ;o quartel-general do Exército nigeriano em Maiduguri estava ciente sobre o ataque iminente; quase quatro horas antes de o Boko Haram chegar em Chibok.

Nesat Belay, diretor de investigação e defesa para a África da Anistia Internacional, considerou que as tropas não puderam se mobilizar a tempo ;devido à falta de recursos; e a um ;suposto temor; de enfrentar os islamitas, ;frequentemente mais bem equipados;. Os 17 militares de Chibok foram dominados pelos criminosos. ;A Nigéria abandonou os civis, que continuam sendo presas fáceis. O país agora terá que usar todos os meios para garantir a libertação das meninas e evitar que ataques como esses aconteçam de novo;, observou.

A falta de uma ação contundente ao grupo extremista gerou uma enorme mobilização internacional, inclusive nas redes sociais. , onde políticos, a primeira-dama americana, Michelle Obama, e várias celebridades, entre elas a atriz Angelina Jolie, pediram mais compromisso das autoridades para encontrar as meninas ainda cativas. Ontem, a viúva de Nelson Mandela, Graça Machel, rompeu o silêncio imposto pelo luto para pedir ao governo da Nigéria e à comunidade internacional que intensifiquem os esforços nessa missão.

Na Nigéria, o movimento de protesto continua a ganhar força. De manhã, uma manifestação foi realizada no centro de Lagos, organizada pelo grupo Mulheres pela paz e pela justiça. Outro protesto, que reuniu centenas de pessoas, foi organizado em Maiduguri, capital do estado de Borno, em frente ao gabinete do governador. ;Organizamos essa mobilização para expressar nossa insatisfação com a indiferença com que o governo nigeriano lidou com o sequestro das estudantes;, disse Manaseh Allan, de Chibok, à agência France-Presse. O governador de Borno, Kashim Shettima, anunciou três dias de oração e jejum em apoio às reféns. Uma manifestação também foi realizada em Londres.


"Acho que tantas pessoas não poderiam ter sido levadas a Camarões sem que fossem vistas. Por isso, acredito que elas ainda estejam na Nigéria;

Goodluck Johnathan,
presidente nigeriano

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