Ainda falta segurança

Ainda falta segurança

postado em 18/06/2014 00:00
A pesquisa realizada no Rio de Janeiro não é um caso isolado na realidade brasileira. Hoje, no país, há diversos grupos trabalhando com tecnologias voltadas para a administração do tráfego de veículos e o respeito à legislação. Recentemente, alunos da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um bafômetro que detecta não apenas o consumo de álcool, mas também o de cocaína e maconha. O equipamento é uma adaptação de instrumentos que medem umidade e poluentes na atmosfera. Um sensor feito com quartzo e ouro emite uma frequência constante, que, se oscila, indica a existência das drogas.

Segundo Márcia Pontes, educadora de trânsito em Santa Catarina, o Brasil segue a tendência de evolução tecnológica vista em países mais ricos. Uma das medidas mais inovadoras, segundo ela, é o Sistema Nacional de Identificação Automática de Veículos (Siniav), disposto em resolução de 2012. A implementação do projeto já começou no estado de Rondônia e, até junho do ano que vem, todos os veículos terrestres, com exceção dos bélicos, deverão ser equipados com um chip que fornecerá às autoridades um dossiê do carro, caminhão ou motocicleta. Informações pessoais do proprietário, entretanto, serão mantidas em sigilo.

Na avaliação da especialista, ainda faltam no Brasil investimentos na segurança. ;Temos universidades que apostam em projetos avançados em tecnologia. Porém, a maioria é voltada para a economia e a sustentabilidade, mas pouco se fala de projetos que permitam poupar vidas;, cometa Márcia, também coordenadora do Projeto Maio Amarelo, que integra o poder público e a sociedade civil em ações relacionadas à boa qualidade viária.

Disparidades
Outro desafio nacional é a disparidade entre os estados. De acordo com um estudo publicado no fim do mês passado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), menos de 20% das grandes cidades brasileiras utilizam tecnologias para o controle de trânsito, inclusive as mais simples, como inserir horários de circulação do transporte público. Apenas 10% possuem sistemas inteligentes para fiscalizar infrações.

A diferença é grande. Por exemplo, o Distrito Federal terá, em breve, mais de mil radares, câmeras e barreiras eletrônicas ; existem 982 e mais 100 devem ser instalados neste ano. Diferentemente, Blumenau (SC) não possui nenhum sistema eletrônico do tipo. Para Márcia, a desigualdade é reflexo de uma política de baixos investimentos no país. ;O Brasil possui acesso às tecnologias, inclusive as mais caras de ponta, mas os municípios investem muito pouco nisso;, diz. ;Há uma cultura da infração, e o acidente nada mais é do que uma que deu errado. Se a infração dá certo, a pessoa se gaba;, lamenta. (IO)

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