Tensão com a Argentina

Tensão com a Argentina

postado em 19/06/2014 00:00
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, procurou ontem conter os temores em torno das atuais pressões sobre a dívida externa da Argentina. ;Não podemos nos precipitar;, declarou. Na segunda-feira, o governo argentino foi derrotado na Suprema Corte dos Estados Unidos na discussão envolvendo fundos de investimento credores, que exigem que o calote dado em 2001 seja revisto. A manutenção desse desfecho pode multiplicar o tamanho passivo do país vizinho, com baixíssimas reservas internacionais, e resultar na segunda suspensão de pagamentos externos em 13 anos.

;Precisamos ver a solução que a Argentina dará para isso, ainda há espaço para negociação. Por enquanto, estamos dentro da normalidade;, observou Mantega, após anunciar medidas para a indústria no Palácio do Planalto. Perguntado se haveria algum risco de contágio sobre as transações brasileiras, ele lembrou que os mercados do Brasil e da Argentina não pioraram em função do noticiário. Ontem, advogados da Argentina se reuniram com os credores que não aderiram à reestruturação da dívida do país, dois dias após a Justiça norte-americana ter decidido negar recurso da Casa Rosada.

O Ministério da Fazenda tomou uma decisão motivada pelo receio com a inflação e pela dificuldade da Argentina em atender o país no fornecimento de trigo. A Câmara de Comércio Exterior (Camex) irá reduzir para zero a Tarifa Externa Comum (TEC) incidente sobre importações da commodity de fora do Mercosul, para uma cota de 1 milhão de toneladas. No ano passado, a cota isenta de TEC para trigo de fora do Mercosul foi sendo ampliada ao longo dos meses, chegando a ultrapassar 3 milhões de toneladas. A medida deve ser publicada amanhã no Diário Oficial da União. As importações isentas da tarifa de 10% poderão ser feitas até 15 de agosto.

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